Escola onde carro de professora foi incendiado suspende início de aulas

O clima de tensão continua no Colégio Estadual Antônio Fontes Freitas, no Conjunto Marcos Freire I, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), onde o carro de uma professora de matemática foi incendiado na tarde de anteontem. No dia seguinte ao episódio, os alunos foram surpreendidos com um cartaz que anunciava a suspensão das aulas. Segundo o aviso, as aulas serão retomadas só na próxima segunda-feira, em virtude do incêndio ocorrido dentro do estacionamento da escola. O veículo, um Chevrolet Ônix que tinha sido comprado há menos de dois meses, permanece no mesmo local onde foi parcialmente destruído.

O caso está sendo investigado pela 5ª Delegacia Metropolitana (5ª DM), onde foi registrado um boletim de ocorrência. A polícia ainda não tem pistas do autor do crime e busca por pessoas que teriam visto o momento em que uma garrafa de solvente sendo jogada contra o veículo. No entanto, há a suspeita de que o autor do ataque teria sido praticado por um ex-aluno que queria atingir a diretora do colégio, cujo carro é semelhante ao que foi incendiado. É considerada ainda a possibilidade de que o incêndio esteja ligado a grupos de criminosos que atuam no bairro onde a escola está instalada.

Sem se identificar, servidores e professores da escola afirmam que alguns usuários de drogas já chegaram a invadir a unidade de ensino e praticar atos de vandalismo – e por causa disso, os portões são mantidos trancados por todo o dia. Eles relatam que, na semana passada, um coquetel molotov chegou a ser jogado contra o telhado da biblioteca, que só não pegou fogo por causa da interferência do vigilante, ao retirar o artefato a tempo.

Ontem à tarde, professores, funcionários e diretores da Antônio Fontes Freitas se reuniram com a superintendente executiva da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Marieta Barbosa, que lhes prestou solidariedade e quatro medidas principais sobre o caso: o reforço da segurança patrimonial; a elaboração de um calendário de acolhimento psicológico, o estabelecimento de uma agenda de debates pedagógicos e a colocação de câmeras de segurança no colégio.
Durante a reunião, a superintendente executiva disse que toda assistência vem sendo prestada pela Seed, desde que surgiu a notícia do incêndio criminoso. "Os técnicos da Seed acompanharam a professora e a diretora do colégio na delegacia, durante a elaboração do boletim de ocorrência. Logo após, integrantes do Qualivida; do departamento de Recursos Humanos e a coordenadoria do Programa Cidadania e Paz, participaram de uma reunião no próprio colégio, levando o apoio e a solidariedade da Seed", disse Marieta.

Ela assegurou ainda que o secretário da Educação, Jorge Carvalho, conversou sobre o caso com o colega da Segurança Pública, Mendonça Prado, a quem pediu providências. "Solicitamos da SSP que intensificasse a ronda no entorno do colégio, no sentido de oferecer mais segurança e tranquilizasse os nossos alunos, servidores e professores", afirmou a superintendente, ao repudiar o ataque à escola. "Não admitimos nenhum tipo de violência e que o seu enfrentamento é uma tarefa de todos, do coletivo escolar, da comunidade do entorno e do poder público constituído. Muito antes deste lamentável episódio, a Seed já vinha adotando uma série de ações para tentar amenizar a onda de violência que atinge as escolas da rede estadual de ensino", disse Marieta Barbosa.

Compartilhe esta notícia