Gabriel Damásio
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Uma crise familiar e conjugal é apontada pela polícia como o mais provável motivo para o assassinato do cabo Jeová Santos, 47 anos, lotado no 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPM), em Lagarto (Centro-Sul), que morreu após levar dois tiros à queima roupa na cabeça. O crime aconteceu por volta das 19h30 deste sábado, enquanto a vítima dormia na própria casa, no Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a morte de Jeová foi planejada e ordenada pela própria esposa, Andréa Santos Coelho, 35, que foi presa em flagrante e confessou sua participação no homicídio.
Dois enteados do cabo também são acusados de envolvimento com a trama. O primeiro é o ex-presidiário Cleverton Coelho Santos, 19, apontado como autor do disparo, que estava foragido até o fechamento desta edição e teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz Pablo Moreno Carvalho da Luz, da 2ª Vara Criminal de Socorro. O outro é um menino de 12 anos que, segundo a polícia, atendeu às ordens de Andréa para atrair Cleverton até a residência, no momento em que o militar dormia, e facilitar sua fuga. O garoto foi apreendido e, no domingo, entregue à família por decisão do Ministério Público.
De acordo com o tenente-coronel Paulo César Paiva, porta-voz da PM, a própria Andréa telefonou ao Ciosp (Centro Integrado de Operações em Segurança Pública) para relatar um assalto à sua casa, no qual dois bandidos armados e encapuzados entraram na residência, renderam a família e mataram Jeová para roubar sua arma, uma pistola calibre 40 que estava guardada. "A Polícia chegou rápido ao local e, nas primeiras investigações, desconfiamos profundamente do cenário. Apesar de ela ter relatado o caso como uma invasão, tudo estava arrumado e não havia nenhum sinal de violência, a não ser o cadáver do cabo, que foi morto covardemente, enquanto dormia. E o guarda-roupa de onde foi levada a pistola encontrava-se perfeitamente arrumado, sem nenhum sinal de luta ou procura desesperada por alguma coisa. Isso evidenciou que faltava alguma parte da história", disse Paiva.
Uma equipe da 4ª Divisão do DHPP entrou no caso, estudando os detalhes do local do crime e interrogando Andréa e o menino de 12 anos, que acabou revelando todo o plano. "Passamos então a questioná-los e ambos findaram por admitir a prática criminosa e todo o planejamento da mesma junto com o Cleverton, que não foi localizado. Ambos foram conduzidos e autuados em flagrante. Após horas de interrogatório, findaram por confessar toda a prática criminosa com riqueza de detalhes. A senhora Andréa justificou que não queria ser deixada pelo marido, que dizia que queria se separar", detalhou a delegada Juliana Alcoforado, responsável pelo caso.
Segundo a delegada, dois motivos detonaram a crise na família. No primeiro, Andréa acusava Jeová de traição e envolvimento com outras mulheres. Já o segundo foi uma briga entre o militar e o enteado Cleverton, que estava envolvido com um grupo de assaltantes e traficantes de drogas. Há cerca de dois meses, após ter sido preso por alguns dias, o rapaz foi expulso de casa pelo cabo, o que teria deixado a mãe profundamente magoada. "Ele apenas visitava a senhora Andréa escondido quando Jeová não estava em casa, e então, após notícia de um empurrão que a mãe supostamente tomou há alguns dias, planejou com a mesma e seu irmão de apenas 12 anos a morte do padrasto", comenta Juliana.
O crime – De acordo com Paulo Paiva, o plano de Andréa e dos filhos foi executar o crime em um dia de folga, quando o cabo costumava sair de casa para beber com os amigos e voltava para dormir, já sob o efeito do álcool. Foi o que aconteceu na tarde daquele sábado: Jeová saiu para comemorar a notícia de que seria promovido ao posto de sargento, após 27 anos de carreira na PM. Ao voltar para casa, por volta das 17h, a vítima foi dormir em seu quarto.
"A Andréa mandou que seu filho de 12 anos fosse à procura do irmão dele [Cleverton], que estava em uma boca de fumo no Parque dos Faróis. Então, ele veio encapuzado e entrou pela porta da frente, que foi deixada aberta propositalmente. Depois ele foi direto até o quarto do cabo e atirou na têmpora, para anular qualquer possibilidade de reação", disse o tenente-coronel, ao ressaltar que, por conhecer bem a casa, o acusado teve facilidade para executar o crime, pegar a arma e fugir pelos fundos, "onde a mãe dele havia deixado uma escada posicionada junto ao muro, para facilitar sua fuga pelo quintal".
Além de decretar a prisão de Cleverton, o juiz Pablo Carvalho determinou a prisão preventiva de Andréa. Em sua sentença, ele considerou que o crime foi "sórdido e covarde", e "revela a absoluta ausência freios morais ou limites éticos da parte dos investigados, ingredientes inerentes à manutenção de conduta criminosa e contrária ao respeito do direito alheio". O corpo do cabo Jeová foi enterrado domingo à tarde no Cemitério São João Batista, com a presença do comandante-geral da PM, coronel Maurício Iunes. O militar deixou três filhos biológicos, frutos de seu primeiro casamento.


