Estudantes de São Cristóvão cobram reforma de escola

Milton Ales Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Estudantes da Escola de Ensino Fundamental Gina Franco, município de São Cristóvão, na manhã de ontem voltaram a ocupar ruas da cidade com o objetivo de protestar contra as precárias condições de ensino público vivenciadas ao longo dos últimos dois anos. A unidade educacional que possui capacidade para 800 alunos permanece interditada por tempo indeterminado em decorrência de reformas que são realizadas desde janeiro de 2013. Diante do problema estrutural, as crianças e adolescentes foram encaminhados em caráter temporário para um casarão antigo localizado no Centro da cidade, enquanto as obras não são concluídas pelo poder municipal.
Segundo os manifestantes, os problemas, que já eram imensos e geravam desconfortos para a comunidade, têm se agravado desde o segundo semestre do ano passado. No início desta semana, ao se depararem com o serviço suspenso, os jovens decidiram se unir e promover um ato público a fim de chamar a atenção do poder judiciário para o empecilho que atrapalha na educação dos alunos. Ao se deparar com a revolta deflagrada pelos estudantes, professores, coordenadores, técnicos auxiliares e responsáveis pelos alunos decidiram se unir à causa e pressionar a Secretaria Municipal de Educação. A meta é acelerar a obra e garantir o retorno de todos para a instituição educacional.
Paralelo aos contratempos registrados na obra da Escola Gina Franco, o atual espaço utilizado também está longe de fornecer boas condições de uso. Na avaliação da aluna Jéssica dos Santos, o casarão, que deveria ser utilizado por no máximo seis meses, já apresenta irregularidades superiores, se comparado aos empecilhos registrados no início do ano letivo de 2013. "Aqui já está pior do que a nossa escola. Os problemas que estamos vivendo conseguem ser piores do que aqueles que enfrentamos durante a mudança pra cá. Nós queremos nossa escola de volta e ter melhor condição de estudo. Se depender desse casarão, vamos ficando mais velhos e não vamos aprender nada. Não aguentamos mais essa situação e por isso estamos participando desse protesto", afirmou a jovem de apenas 14 anos.
Conforme noticiado pela Prefeitura de São Cristóvão, problemas administrativos contribuem para o atraso na conclusão da obra. A gestão municipal disse compreender a situação de risco para a educação das centenas de alunos, mas informou que, mesmo tendo um custo mensal de aluguel do prédio provisório, garante que será feita nova licitação a fim de acelerar a reforma da unidade escolar. Apesar das respostas apresentadas pela secretaria de educação, Maria Gardênia dos Santos, mãe de dois filhos matriculados na Gina Franco, disse não acreditar nas promessas apresentadas.
Segundo a denunciante, é preciso que a justiça intervenha de forma imediata a favor do povo carente de São Cristóvão. "A reforma está parada há vários meses e só agora vem dizer que uma nova licitação será aberta? Só podem estar brincando com a cara do povo. Até o dinheiro do casarão já não foi repassado e as aulas foram suspensas por duas vezes. Estamos vivendo um caos na educação fundamental dos nossos filhos e precisamos do apoio dos juízes e promotores para resolver essa situação", declarou Maria Gardênia, que, de forma sarcástica concluiu dizendo: "será que o jeito vai ser chamar novamente Roberto Cabrini do SBT? Parece que só ele tem a solução para os nossos problemas". Pela administração municipal não foi informado o dia, ou o período de quando o novo processo licitatório será aberto.

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