Milton Alves Júnior
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Na manhã de ontem estudantes do curso de Geologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) realizaram mais uma manifestação dentro da cidade universitária contra a falta constante de professores gabaritados para ministrar aulas de disciplinas consideradas obrigatórias na grade curricular. Segundo denúncia dos acadêmicos, apesar do vestibular disponibilizar 50 vagas a cada ano letivo, apenas 50% dos alunos estaria tendo a oportunidade de assistir integralmente as aulas conforme previsto na metodologia do curso.
Contando com o apoio de docentes e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a missão do grupo é permanecer promovendo atos públicos até que o problema seja solucionado pela coordenação do curso.
Preocupado com o futuro do curso na instituição federal, Amaury Pereira disse lamentar as irregularidades.
Segundo o acadêmico de 21 anos, o curso da UFS tem proporcionado estudos técnicos em variados setores públicos que contribuem diretamente para a qualificação sócio-ambiental do Estado de Sergipe. "Estamos sempre realizando atividades práticas e isso tem surtido bons efeitos nos rios e reservas ambientais, por exemplo. Infelizmente com essas pendências de professores, não vejo um futuro tão positivo para o nosso curso", declarou. A mobilização que teve início por volta das 8h estava pacífica até alguns professores tentarem furar o bloqueio formado pelos alunos.
Em meio ao bate boca uma aluna disse ter sido agredida no braço por um dos docentes e após o ato se dirigiu até a sede da Polícia Federal, em Aracaju, para prestar queixa e realizar o exame de corpo de delito. Contrariada com o episódio, Aracy Sousa, chefe do Departamento de Geologia, disse não entender o motivo que teria deixado os alunos revoltados e truculentos. "Nós sempre fomos bastante acessíveis para debater os problemas e encontrar soluções imediatas para o nosso curso. Respeito a opinião de cada um, mas não acredito que três professores poderiam encarar ou agredir 30 jovens estudantes", afirmou.
Apesar da ‘imparcialidade’ da chefa, os acadêmicos continuaram a exaltar: "O que nos deixa preocupados é saber que esse problema é de conhecimento de todos, mas ninguém parece fazer nada para mudar esse quadro. A partir dessa concepção, onde nada é feito pra melhorar que decidimos nos unir, convocar a imprensa sergipana e realizar esse ato", afirmou o estudante Anderson Santana.
Além da falta de professores, os manifestantes ainda se queixam de uma precariedade estrutural de todos os laboratórios, nas salas de aula, e aproveitaram a oportunidade para exigir a redução no número de vagas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Caso esse último pedido seja atendido, o número de vagas passará de 50 para 30.
"Como é que vamos nos conceituar com essa péssima estrutura disponibilizada? Com essa redução não queremos diminuir a boca do funil, e sim, dar mais estrutura e assistência educacional para aqueles que venham a conquistar uma das vagas ofertadas", afirmou um estudante que preferiu não se identificar.
Na tentativa de buscar informações junto à universidade, a nossa equipe entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da UFS e foi informada que os administradores foram devidamente comunicados quanto a mobilização dos estudantes, mas apenas a Pró-reitoria de Graduação (Prograd) poderia se manifestar quanto ao assunto. Já o professor Jonatas da Silva, responsável pela Prograd, disse que no início da noite estaria entrando em uma reunião extraordinária com alguns diretores da instituição para debater a reivindicação dos alunos e só depois desse encontro poderia conversar com a imprensa. Até o fechamento dessa matéria a reunião não havia acabado.


