Estudantes fazem protesto e fecham avenidas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Estudantes da rede estadual promoveram essa semana uma série de atos contra a falta de auxiliares técnicos, merendeiras e agentes de vigilância que se encontram em greve geral há mais de 30 dias. Cansados da precariedade administrativa, alunos de várias escolas, coordenados por centrais estudantis, foram às ruas para pedir ao Governo do Estado agilidade no diálogo com os servidores que pretendem permanecer de braços cruzados por tempo indeterminado caso não haja avanço nas negociações. Com o propósito de fortalecer o movimento e chamar a atenção dos deputados para o pleito, na manhã de ontem dezenas de estudantes participaram de uma marcha com destino à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).

Já na avenida Visconde de Maracaju, bairro 18 do Forte, zona Norte de Aracaju, nas intermediações do Colégio Estadual Governador Valadares, um grupo mais radical fechou a via ao atear fogo em móveis, pneus e pedaços de madeiras. O ato contou com o apoio do grêmio estudantil e durou cerca de uma hora. Agentes da Polícia Militar e Guarda Municipal intermediavam as negociações para conscientizá-los a desobstruir a pista enquanto agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) tentavam reorganizar o caos gerado pela manifestação. Entre os alunos rebelados estava Igor Costa, que disse não aceitar o clima de vulnerabilidade social vivida todos os dias por estudantes e professores.

Ele pede ação mais enérgica por parte do secretário Jorge Carvalho, que responde pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), a fim de evitar que novas ocorrências policiais não sejam registradas na unidade estudantil. "A quantidade de furto e uso de drogas aqui na escola cresceu muito e a gente não sabe o que fazer. Até os professores estão com medo de ficar na sala de aula com a gente porque sempre tem alguns mais atrevidos. Fora isso, aqui não tem merenda, a escola está suja, uma lâmpada queima e não tem ninguém pra trocar ou consertar as instalações. Estamos vivendo numa escola abandonada e por isso que decidimos nos unir e protestar", declarou. Ao todo, cerca de 120 alunos integraram o ato público.

Paralelo ao manifesto de estudantes da zona Norte, representantes do Colégio Dom Luciano, Escola Governador Valadares e da Escola Judith Olieira, do Orlando Dantas, também relatam que a falta de professores de diversas disciplinas tem colaborado para que horários permaneçam vagos a menos de dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2015). A colegial Luzimara Dantas, de 16 anos, disse não ter esperança na conquista de vaga para cursar Ciências Contábeis na Universidade Federal de Sergipe (UFS), a partir do próximo ano.

Questionada sobre as medidas adotadas por ela nos momentos em que deveriam estar em sala de aula, mas devido à ausência de profissionais não estão, a adolescente disse se unir a outros colegas e participar de grupos de estudo. "A gente tenta estudar na biblioteca ou dentro da sala de aula mesmo, mas é difícil porque como não tem professor muitos ficam conversando e acabam atrapalhando a concentração de quem quer vencer no Enem. Desse jeito, por mais otimista que eu seja, fica difícil acreditar que vou conseguir minha vaga na UFS. Vim participar dessa caminhada e manifestação geral pra ver se alguma coisa boa é feita nessa reta final para o Enem", lamentou.

Por meio de nota oficial a Secretaria de Estado da Educação (Seed) confirmou que todo o serviço de limpeza das unidades escolares não está sendo realizado justamente em virtude da greve dos servidores. De acordo com Elton Coelho, assessor de comunicação da Seed, o estado não possui quadro de funcionários suficiente para atender a atual demanda. "Para tentar solucionar o problema, medidas judiciais serão tomadas, enquanto isso, a limpeza continua paralisada. É preciso destacar que desde o início do ano nós estamos progredindo muito, mas seis meses não é o tempo ideal para mudar todo um cenário de dificuldades. Nossos técnicos servidores estão desenvolvendo um projeto que vai criar uma rede de compartilhamento entre as escolas e ajudar para que novos avanços sejam adquiridos", afirmou Elton.
Sobre as manifestações, a direção da Seed informou que se trata de um ato democrático, mas que apenas foram registrados devido à paralisação de algumas categorias que atuam no âmbito da educação básica estadual.

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