Quinta, 22 De Fevereiro De 2024
       
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Eu, nordestino


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Publicado em 08 de agosto de 2023
Por Jornal Do Dia Se


O Brasil de 55 milhões.

Rian Santos – [email protected]
 
Há uma fissura sensível no mapa do Brasil, uma fratura, uma ferida, um rasgo de compreensão entre o norte e o sul do país. Eu, nordestino, tomo o partido dos “paraíbas”. O povo lá embaixo,Z ema e seus asseclas, sabem nada de mim.
O Grande Sertão de Guimarães Rosa é muito maior do que todo o sul maravilha. Lá, no coração de Minas Gerais, onde viver é muito perigoso, todos os homens são feitos da mesma matéria: carne, osso, medo e músculos. Mas o governador Romeu Zema conhece apenas os números dos próprios privilégios, alheio à sorte enviesada dos vivos. E os recita com a boca cheia, a fim de aprofundar o fosso das desigualdades históricas, em atenção ao próprio umbigo.
Divisionista, Zema reclama a maior fatia do bolo para si. Metade da Câmara, 70% da economia e 56% da população, concentrada no sul e sudeste do Brasil, justificariam uma espécie de apartheid fiscal. Nas entrelinhas de tal discurso, o fascismo grita sem pudor: Norte e Nordeste, fica presumido, deveriam ser sacrificados, abatidos por inanição. Os mais pobres, em suma, não merecem existir.
A branquitude burra do sul maravilha ignora as circunstâncias históricas do desenvolvimento desigual por ignorância e também por conveniência. Convém a alguns, herdeiros de pilhagens ancestrais,sufocar a má consciência de privilégios escandalosos com um travesseiro de plumas. Embrutecidos pelo conforto, eles dormem tranquilos. Mas são brasileiros, como 55 milhões de nordestinos; O próprio Zema é só mais um brasileiro, como eu.
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