Gabriel Damásio
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O ex-pastor evangélico Carlos Henrique Souza Quirino, 33 anos, é acusado pela polícia de dar golpes com a venda irregular de 200 lotes de um terreno em Itaporanga D’Ajuda (Sul), com a promessa de que eles seriam para a construção de imóveis do programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal. O acusado, que teve sua prisão decretada em outubro de 2012 pelo juízo da Comarca de Itaporanga, foi detido na tarde de anteontem em uma loja de decorações no centro de Itabaiana (Agreste). Ele responde a processo por estelionato e os prejuízos causados ainda são levantados pela polícia.
Segundo o delegado Deskson Almeida, as denúncias surgiram desde 2010, quando Henrique oferecia lotes de cerca de 40 m², nos quais seriam construídas as residências. Este terreno, segundo o acusado, foi comprado em nome da Fundação El Shadday, presidida por ele, e ao preço de R$ 170 mil. Henrique prometia construir os imóveis e arcar com as obras, mas cobrava um preço entre R$ 2 mil e R$ 2.500 por lote. Algumas pessoas chegaram a pagar, mas, com o passar do tempo, viram que nenhuma obra acontecia no local. "As pessoas se sentiram lesadas, porque pagaram pela construção de uma casa e não viram casa nenhuma", resumiu Deskson.
O caso chegou à polícia de Itaporanga depois que Quirino não mais foi visto na cidade e nem encontrado pelos clientes que exigiam o dinheiro de volta. "Com o sumiço de Carlos Henrique, dezenas de pessoas procuram a delegacia e foi instaurado um inquérito policial. Na época, ele disse que adquiriu o terreno pela El Shadday e que vendeu apernas os lotes. A construção da casa, neste caso, seria por outra empresa que acabou não fazendo a obra e que isso, segundo ele, não era responsabilidade dele. Mas o delegado à época não entendeu assim, e indiciou ele, o promotor de Justiça também não entendeu assim, acusou ele, e o juiz da Comarca, também não entendeu isso, viu provas e decretou a prisão preventiva dele em 19 de outubro de 2012", explicou Almeida.
Após um tempo de investigação, a polícia descobriu que Carlos Henrique estava morando em Itabaiana, onde trabalhava na empresa de decorações. Há a suspeita de que o mesmo golpe teria sido aplicado pelo acusado em Campo do Brito, na mesma região. "Tem vítimas em Campo do Brito pelo mesmo crime. Não tenho as informações precisas, mas pelo que eu li no boletim de ocorrência de uma pessoa lesada lá, foi o mesmo modus operandi", disse o delegado, sem estimar, entretanto, um total de vítimas confirmadas. "Não temos a quantidade de pessoas que teriam sido lesadas pelo ex-pastor, mas certamente são dezenas, a contar pelo número de lotes disponíveis para a venda em Itaporanga. Eu acredito que podem ter sido várias", destacou.
A polícia confirmou ainda que o acusado era pastor da Igreja Assembleia de Deus e dela se afastou há cerca de dois anos, mas existe a suspeita de que ele usava condição de religioso para aplicar o golpe. "Toda a comunidade conhecia ele como ‘Pastor Carlos Henrique’", afirma Deskson.
O ex-pastor, por sua vez, negou essa acusação em depoimento e alega já ter deixado a igreja quando tudo ocorreu. Ontem, ao ser apresentado, ele voltou a alegar problemas para contratar a empresa responsável pela construção das casas. "Algumas pessoas que compraram o terreno não pagaram ou deram a metade do valor, e o projeto atrasou por causa disso. Aí, chegou o período eleitoral e o banco não podia financiar nada. Mas isso gerou muito boato na cidade", disse Henrique, ao negar o crime de estelionato. "Como a pessoa dá um golpe e compra terrenos de R$ 170 mil? Como é que eu vou dar um golpe e gastar dinheiro com terraplanagem, topografia, documentação do terreno e outras coisas?", argumentou.
Quirino vai ficar preso na 8ª Delegacia Metropolitana (Capucho), zona oeste de Aracaju, mas o processo criminal correrá na Comarca de Itaporanga. Além de cumprir pena de prisão, o acusado pode ser condenado a arcar com os prejuízos das pessoas que se consideram lesadas. "As casas, não vai dar pra entregar, pois o projeto não vai ter mais continuidade devido a tudo o que aconteceu, a todo o desgaste. A depender do andar da carruagem, vamos indenizar as pessoas com os lotes. A nossa intenção é destrinchar o terreno, ou seja, separar os loteamentos, e cada um vai receber o seu lote, que hoje está valendo muito mais do que os R$ 2.200 que alguns pagaram", assegurou o acusado.


