Ex-presidiário é morto em galeria no Centro

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O centro de Aracaju foi palco de um assassinato ousado, ocorrido em pleno horário de intenso movimento. Às 13h20 de ontem, o ex-presidiário Isaías Silva Nogueira, 29 anos, foi morto a tiros em uma loja de telefones celulares que fica dentro da Galeria Passarela, no Calçadão da João Pessoa. Ele atendia a uma cliente quando foi atacado por um homem armado de revólver que entrou disparando seis tiros em sua direção. Segundo o levantamento da perícia, a vítima levou dois tiros na cabeça, um na perna e os outros três de raspão. A polícia já sabe que o assassino estava acompanhado por um segundo homem, que provavelmente estaria lhe dando cobertura.

A galeria estava cheia de clientes e uma grande confusão se formou assim que os tiros foram disparados. Em meio à confusão, os dois criminosos saíram correndo e o que estava armado chegou a erguer a arma para abrir caminho. À pé, eles saíram da galeria e caminharam em direção à Praça General Valadão, mas chegaram a ser seguidos por policiais do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam). "Toda a informação nos foi passada por um funcionário da galeria que fez o acompanhamento deste elemento que fez os disparos e se bateu com o Getam lá no mercado. Até então nós não tínhamos sido informados do crime, mas depois começamos a fazer as buscas naquela região", disse o sargento J. Sobrinho, do Getam.

Os dois criminosos conseguiram escapar, mas toda a ação foi registrada por câmeras do circuito interno de TV da loja de celulares e de outra loja de equipamentos eletrônicos que fica em frente ao local do crime. As imagens já estão em poder da polícia. O JORNAL DO DIA apurou que os dois matadores estiveram primeiro na loja vizinha, passando-se por clientes e, provavelmente, observando o movimento da loja onde Isaías trabalhava, como vendedor intermediário de chips para celular. "Ele captava clientes no calçadão e trazia-os para a loja, mas não era um funcionário direto", explicou o tenente Matos, do 8º Batalhão da Polícia Militar, ao confirmar que os dois homens apenas atiraram no vendedor, sem roubar nada e nem usar qualquer máscara ou capuz.

Mesmo com a fuga logo após os tiros, muitos clientes voltaram para a galeria, junto com outros curiosos, para ver o que estava acontecendo. Uma boa parte chegou a ser retirada pela segurança da loja, que deu acesso apenas aos policiais, peritos, repórteres e funcionários das lojas. Apesar da curiosidade e das conversas sobre o crime poucos quiseram falar ou dar detalhes da morte de Isaías. Uns disseram que só estavam passando pelo local e outros alegaram só ter ouvido os tiros. Todos foram unânimes, no entanto, em afirmar que não havia policiais no Calçadão quando o crime aconteceu. O corpo do vendedor permaneceu na loja por cerca de uma hora, até ser removido pelo Instituto Médico-Legal (IML).

Condenado – Uma pista para esclarecer o crime pode estar no passado da vítima. Em 8 de setembro de 2011, Isaías foi preso com outros quatro homens no Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite, bairro Capucho (zona oeste), em uma operação da Polícia Civil. Segundo as investigações, ele fazia parte da quadrilha responsável por assaltar, meses antes o restaurante ‘O Rivaldo’ e a lanchonete ‘Space Burger’, ambos na zona sul da capital.

Por estes dois crimes, Isaias foi condenado em 12 de setembro de 2012 pela juíza Jumara Pinheiro Porto, da 7ª Vara Criminal de Aracaju, ao cumprimento de 11 anos, um mês e 15 dias de pena em regime inicial fechado. Em 14 de novembro de 2013, ele ganhou o direito de progredir para o regime semiaberto, mas, por falta de vagas em presídios deste regime, o juiz Hélio de Figueiredo Mesquita, também da 7ª Vara, colocou o preso no regime aberto, "em caráter excepcional".

A principal hipótese levantada é a de uma possível vingança ou rixa. Uma fonte ligada à polícia disse ao JORNAL DO DIA que o ex-detento pode ter sido o autor das denúncias que levaram a polícia a prender o restante da quadrilha de assaltantes e, por isso, estaria jurado de morte. A informação, contudo, ainda não é confirmada oficialmente. A investigação será realizada pela equipe da delegada Thereza Simony Silva, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

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