SES instala gabinete de crise em maternidade

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Problemas de superlotação, desassistência e falta de materiais básicos para realização de procedimentos cirúrgicos levou a Secretaria de Estado da Saúde (SES) a instalar um gabinete de crise para monitorar a rede de atendimento na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.

Na última sexta-feira, 10, a SES anunciou que o órgão instalou um gabinete de crise para adotar medidas que melhorem o atendimento na maternidade, gerenciada pela Fundação Hospitalar de Saúde (FHS).
A maternidade é a única unidade pública no estado que presta atendimento a gestantes de alto risco. O tema foi discutido na manhã de ontem durante reunião entre a secretária da SES, Joelia Silva Santos, e o governador Jackson Barreto.

Em nota assinada pela secretária de estado da Saúde e encaminhada aos profissionais das unidades de saúde geridas pelo órgão, a secretaria reconheceu a crise na maternidade e manifestou que fará intervenção na rede hospitalar gerenciada pela FHS, alegando que a medida será tomada diante do grave quadro de desassistência, falta de remédios, péssimos serviços e risco iminente de mortes na Rede Materno/Infantil e superlotação da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.

O Gabinete de Crise é composto por todos os diretores e assessores da SES, além das Coordenações de Urgência e Emergência e Rede Hospitalar, Logística e almoxarifado Central (ALCEN) da secretaria, com a incumbência de realizar enfrentamento imediato da situação, evitando os riscos de morte por desassistência, gerada por irregularidades constantes no abastecimento de insumos, além da precariedade dos serviços presados de lavanderia, alimentação, manutenção, higienização e limpeza.

De acordo com a nota divulgada pela SES, todas as unidades sob gerenciamento da FHS deverão informar imediatamente sobre todo o funcionamento do serviço, de forma direta e sem contratempos, sob pena de penalização e responsabilização ao servidor que omitir, subtrair ou negar-se a prestar informação aos membros do Gabinete de Crise, ficando a secretária e a chefe do Gabinete da SES, bem como membros auxiliares e assistentes, para a coleta de dados e informações de qualquer ponto da Rede a partir da presente data e até que cesse a necessidade direta de intervenção da SES sobre o funcionamento da rede hospitalar gerenciada pela Fundação.  

Na nota, a SES menciona que há falta de medicamentos, entre eles antibióticos, material médico de uso contínuo, itens saneantes como a Clorexidina, PVPI e, inclusive, o sabonete líquido com Triclosano, e falta de lápis para realização de procedimentos cirúrgicos na unidade, inclusive com paciente com quadro de gravidez ectópica (gestação que ocorre fora do útero).

Sobre a montagem de um gabinete de crise, a assessoria de comunicação da SES informou que este é constituído tantas vezes forem necessárias medidas emergenciais que garantam a assistência, seja por questões de abastecimento, déficit de escala de profissionais, ameaça de superlotação em unidades, elevação dos índices do LIRA, além de medidas emergenciais para evitar surpresas em casos de epidemia. "As reuniões estratégicas visam a colaboração mútua na tomada de decisões junto à rede hospitalar e não na gestão da FHS. Portanto, a Secretaria de Estado da Saúde reafirma o compromisso na garantia da assistência, reunindo gestores para, juntos, enfrentar os desafios e buscar soluções", informou a assessoria da SES.

O Governo do Estado também buscará alternativas junto ao Ministério da Saúde para tentar reverter o quadro de dificuldades enfrentado pela maternidade e por outras unidades da rede geridas pelo executivo.  
Sobre a notícia de uma possível demissão coletiva de médicos que gerenciam unidades hospitalares, a assessoria de comunicação da SES informa que desconhece o fato, mencionando que o atual superintendente do Samu vem solicitando o afastamento desde novembro do ano passado por questões pessoais.

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