Já os ex-secretários José Lima e Silvani Pereira foram citados no relatório do TCU por causa de falhas encontradas na feitura e na fiscalização da execução do convênio com a OMF, principalmente no que diz respeito à aplicação da contrapartida da organização. O contrato, assinado em abril de 2005 por DeisiKusztra e pelo então governador João Alves (atual prefeito de Aracaju e candidato à reeleição pelo DEM), previa investimentos de R$ 12.350.000 na implantação da MNSL, sendo R$ 9,5 milhões arcados pelo Fundo Estadual de Saúde (FES) e outros R$ 2,85 milhões da parte de OMF e Unapmif, responsáveis pela compra e instalação dos equipamentos da maternidade.
O relatório da auditoria mostrou que não houve a apresentação de justificativas para a celebração do convênio sem as devidas justificativas, nem foram tomadas"providências quanto à aplicação da contrapartida em despesas não elegíveis". Os dois itens configuraram descumprimento de artigos da Instrução Normativa 1/1997, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).Ainda segundo o TCU, houve o pagamento antecipado de despesas do contrato, no valor de R$ 1.149.162,56. O recolhimento de R$ 15.115,65 em tributos e impostos durante a vigência do convênio também não foi comprovado.
Além disso, a inspeção apontou que houve "liberação de sete parcelas (da 4ª a 10ª) do convênio em desconformidade com o art. 116, §3º, da Lei 8.666/1993 [Lei de Licitações], pois o Departamento Técnico da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe já havia opinado pela irregularidade da prestação de contas da 3ª parcela". As prestações de contas destas parcelas também não foram apresentadas. "Entendendo que o conjunto das irregularidades listadas no item 5 deste voto, das quais foram parcialmente afastadas apenas aquelas relativas à ausência da retenção de tributos e de pagamentos antecipados, é suficiente para afirmar que a supervisão do convênio exercida pelos então secretários de saúde foi falha", conclui o ministro Vital do Rego, em seu voto.
Polêmicas – A inauguração da MNSL, criada para atender gestantes de alto risco e absorver as funções da extinta Maternidade Hildete Falcão Baptista, foi marcada por polêmicas. A obra foi entregue na última semana de 2006 pelo governador João Alves, como último ato de seu mandato, mas parte dos equipamentos ainda não havia chegado e outros permaneciam nas caixas. Dias depois, foram detectados problemas na estrutura, como infiltrações e falhas no acabamento. A equipe que assumiu a Secretaria de Saúde teve que concluir as obras, o que levou mais oito meses até que a "Lurdinha" entrasse em funcionamento.
As irregularidades levantadas pela CGE motivaram ainda uma ação de improbidade administrativa, impetrada em 2011 pelo Ministério Público Estadual (MPSE) contra DeisiKusztra e a Unapmif. Na ação, que ainda não foi julgada, foi pedida a devolução de R$ 4,2 milhões aos cofres públicos, além da suspensão dos direitos políticos de Deisi e a proibição da Unapmif de fazer outros contratos com o Poder Público.


