Rômulo Rodrigues
Antigamente, quando jornalistas de renome, cronistas do quotidiano, analistas das conjecturas sociais e escrevinhadores de puro talento tinham estudos além do que fora necessário saber para obterem os diplomas que lhes encaminhavam para as profissões, os leitores fieis eram premiados também com composições musicais como as de Antônio Maria, David Nasser, Sergio Cabral; as crônicas ferinas de Sergio Porto, o FEBEAPA de Stanislaw Ponte Preta, o humor ferino e a capacidade de escrever peças teatrais de um Millôr Fernandes que junto com Flávio Rangel nos brindaram com “Liberdade, Liberdade” para enfurecer os gorilas militares exibida no Teatro de Arena em São Paulo em 1968.
Antes, a ousadia inovadora de Samuel Winner e a seguir a ousadia crítica e o destemor de um Tarso de Castro, o bom jornalismo propiciava a todos o talento insubstituível de um Nelson Rodrigues com sua visão revolucionária na crítica ao quotidiano da sociedade carioca nos esteios das classes médias e pequeno-burguesa e seus falsos moralismo.
Digo, sem medo de ser feliz, que com a ausência dos gênios de outrora e, a constatação de que não houve reposição; de Norte a Sul e de Leste a Oeste só se sobressaem os que usam os poucos neurônios que ainda restam para falar sobre o PT. De preferencial, mal, a partir de leituras mal feitas e de ocasiões.
Na mídia maior, endinheirada, pertencente aos da Faria Lima, fazem de tudo para separar carnaval da política, quando sabem que a representação da Arte Popular expressa em todas as partes do carnaval, é a grande manifestação da pura crítica política.
Para essa gente, carnaval é carnaval e a política se resume apenas a enfocar algo que seja desfavorável ao partido dos Trabalhadores. Ai é política, como sendo o lado negativo da notícia.
Se há 4 anos atrás acontecia mais um dos grandes desastres periódicos de excessos de chuvas e deslizamentos de terras provocando destruição e mortes e o presidente da República passeava de Jet Ski numa praia catarinense e sorria dizendo que ia prolongar, hoje o presidente da República vai em socorro a um governador que foi ministro da calamidade pública e coloca as estruturas do governo federal à sua disposição, esquecendo qualquer rusga passada e construindo aliança pela vida.
A lei do retorno indica que já há uma luz no fim do túnel; o empresário José Seripieri Filho acionou a justiça do Paraná contra o agora deputado federal Deltan Dallagnol por insinuações mentirosas sobre a viajem de Lula para participa da COP 27 no Egito em 2022.
Os jornalistas sócios do ex-procurador federal na empreitada para destruir o PT e prender Lula, bem que poderiam aproveitar o ensejo e se manifestarem.
É fundamental para o País que se faça que se faça jornalismo da cobertura da tragédia que atinge o Estado de São Paulo. Mas, é necessário acompanhar o encurralamento da PF – sob nova direção – à família de Bolsonaro no que poderá ser o escândalo do ano, entre um dos filhos com um esperto advogado da capital federal. No embalo, vejam se é verdade que o filho mais novo do Jair concedeu 18 licenças ambientais e ganhou um carro de presente e aproveitem para checar se Bolsonaro foi realmente vacinado contra a Covid-19 e cometeu o crime de esconder para fazer propaganda de Cloroquina a troco de propina.
Dois retratos nas paredes das redações dos jornalões estão na manchete estampada pela Folha de São Paulo insistindo na tese de que Dilma Rousseff sofre um impeachment e não um golpe de Estado e a tese defendida pelo jornalista Elio Gaspari em artigo no jornal O Globo e na Folha de São Paulo afirmando que os caloteiros e ladrões Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles que deram um golpe de R$ 40 bilhões nas Lojas Americanas e, provavelmente R$ 30 bilhões na Ambev, são vítimas de uma fraude.
Fraude para valer é a Brahma, cerveja dos 3 caloteiros, pagar R$ 10 milhões para Gisele Bundchen ficar no camarote da Sapucaí entre as 22 horas e 47 minutos de uma noite à 1 hora da madrugada seguinte fazendo acenos para quem desfilava na passarela do samba.
Que fique como pauta permanente a aula de democracia dada pelo presidente Lula juntando o governador Tarcísio e o prefeito de São Sebastião para providências imediatas dos três entes federativos, sem escárnios e promoções pessoais.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.


