O avião tipo monomotor que caiu no manguezal da Atalaia, em Aracaju, no dia 06 de maio deste ano, apresentou falhas no sistema elétrico do compensador antes de colidir com a área de mangue. A concepção faz parte do relatório pericial desenvolvido ao longo dos últimos seis meses por técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). De acordo com os peritos, o sistema de compensador atua como fonte capaz de reduzir a força para controlar a aeronave, bem como operacionaliza no auxílio do equilíbrio da aeronave. O relatório apresentando a dinâmica do voo e as possíveis causas para a queda da aeronave foi concluído no último dia 12, mas disponibilizado publicamente na manhã de ontem pela direção do Cenipa.
O relatório indica ainda que existem indícios construtivos, os quais levam os especialistas a crer que houve um contato acidental entre os cabos condutores com a estrutura do manche. Esse contato pode provocar o acionamento involuntário do relé do trim, travando-o na posição de cabrado ou picado. Se a aeronave estiver em alta velocidade e ocorrer pane, o piloto terá pouco tempo para identificar e eliminar a causa do problema. O acidente aéreo vitimou de forma fatal Adriano Leon, de 32 anos, que estava sozinho; ele havia decolado do Aeroporto Santa Maria, com destino ao município de Unaí (MG). Leon estava certificado, era habilitado, estava qualificado e possuía experiência nesse tipo de voo.
O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos revelou que a aeronave era de fabricação amadora, e estava dentro das conformidades de peso e balanceamento. As escriturações das cadernetas de célula, motor e hélice não foram localizadas.
Pedido de socorro – No dia do acidente, a torre de comando do Aeroporto de Aracaju identificou intercorrências na aeronave cerca de quatro minutos após o piloto dar início ao procedimento de decolagem. De imediato Adriano Leon recebeu a permissão e coordenadas para retornar à pista; 1m20s após a autorização, enquanto realizava a curva, o tripulante perdeu o controle total da aeronave e caiu no manguezal; com o impacto no solo, o monomotor ficou dois metros soterrado. A distância entre o local da queda e da cabeceira da pista é de 900 metros. O trabalho de resgate dos restos mortais de Adriano Leon durou três dias, e foi operacionado por agentes do Corpo de Bombeiros Militar, e profissionais do Instituto Médico Legal (IML).


