Gabriel Damásio
A família do ativista Clodoaldo Santos Melo, 41 anos, que liderava o movimento SOS Emprego, pediu proteção policial e denunciou que vem recebendo ameaças de morte, principalmente após o assassinato do líder, ocorrido na quinta-feira passada. Ontem, parentes mais próximos da vítima prestaram depoimento na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no centro de Aracaju. entre os que foram ouvidos, estão a esposa dele, uma enteada e um dos filhos, que tem 12 anos e atendeu os assassinos do pai no momento em que eles o chamaram na porta de sua casa, na Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju).
Segundo o relato dos parentes, dois carros vêm sendo vistos rondando a casa de Clodoaldo várias vezes, desde o mês passado, quando aconteceram algumas manifestações de desempregados em uma usina termoelétrica que está em construção na Barra. Um carro de cor prata e outro de cor preta vinham aparecendo nas redondezas, com quatro homens que não desciam dos veículos em nenhum momento e observavam as residências ou perguntavam a vizinhos pelos líderes do movimento. Um irmão de Clodoaldo, Williames Santos Melo, que também integra o SOS Emprego, confirmou que vem sendo seguido e se disse “apavorado”.
Outro fato visto com desconfiança pelos parentes de Clodoaldo foi um assalto que ele e os parceiros de movimento sofreram na Avenida Ivo do Prado, quando deixavam um protesto promovido pelo movimento na Praça Fausto Cardoso, em frente ao prédio da Assembleia Legislativa. Na ocasião, os bandidos pediram apenas os quatro telefones celulares e citaram os nomes de seus proprietários. “A gente pensava que isso tudo era coisa da cabeça da minha esposa, mas agora, depois que mataram meu irmão, tudo faz sentido”, disse Williames. Os parentes acreditam que a morte de Clodoaldo foi uma execução ordenada por alguém que estaria incomodado com o movimento dos desempregados.
Os depoimentos das outras testemunhas do caso continuam ao longo da semana no DHPP e a delegada responsável, Thereza Simony Nunes Silva, prefere não passar detalhes da investigação neste momento. Ontem à tarde, representantes do SOS Emprego e de outros movimentos sociais acompanharam os parentes do ativista em uma audiência na sede estadual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Lá, o presidente Henri Clay Andrade declarou apoio aos movimentos e colocou-se à disposição deles para acompanhar as investigações e cobrar rigor nos trabalhos da polícia e da Justiça para identificar e prender os assassinos.


