Famílias bloqueiam rodovia contra reintegração

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Integrantes do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) bloquearam no início da manhã de ontem a rodovia SE-100 Norte, na cidade de Pirambu, em protesto à ação de reintegração de posse das terras onde ocupam desde 2013. As famílias querem a revogação da decisão judicial que exige a desocupação das terras. Na tarde da última terça-feira, a justiça decidiu pela reintegração de posse determinando um prazo de 60 dias para que o terreno seja desocupado.
Mais de 1.500 famílias ocupam o local desde o mês de outubro do ano passado. Os manifestantes queimaram troncos de coqueiros, interditando a via e causando um congestionamento de mais de 5 km. A Companhia de Polícia Rodoviária (CPRv) negociou a desobstrução da via, que só foi liberada no começo da tarde.

Durante o protesto, os manifestaram apresentaram um documento assinado pelo superintendente da Superintendência de Patrimônio da União (SPU) em Sergipe, Téofilo Melo, dando conta de que a área é considerada terreno de marinha e agora foram surpreendidos com a informação que o terreno é da ISB Empreendimentos.
Sandro José dos Santos, liderança do MNLM, informou que mesmo com a apresentação de possíveis proprietários do terreno, a área ocupada é da SPU e vem sendo reivindicada para o direito de moradia das famílias que ocupam a área.
"No ano passado conseguimos uma certidão da União comprovando que a área onde as famílias estão pertence ao governo federal, situação que gerou a suspensão da reintegração de posse naquela oportunidade. Agora fomos surpreendidos com a informação que a SPU não quer mais a área. Com este protesto também buscamos uma intervenção no estado em relação ao caso", disse.

Ele salientou ainda que o governo federal, através da União, tem várias áreas importantes localizadas em diversas regiões do Estado, inclusive na capital, bem localizadas e que devem ser destinadas às pessoas sem moradia, destacando que durante o governo do PT aconteceram importantes avanços, salientando que essas áreas têm que ser usadas para interesse social.
O representante do MNLM apelou ao governo federal e estadual que possam se sensibilizar com essa questão e possibilitar que o terreno seja utilizado de forma social. "Essas áreas devem servir ao interesse social e não para especulação imobiliária", observou.
Após o protesto, os manifestantes conseguiram agendar uma reunião com o governador Jackson Barreto para a próxima quinta-feira, 19.

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