Famílias invadem sede da prefeitura

Ocupantes de casas populares construídas pela Prefeitura de Aracaju invadiram na manhã de ontem o Centro Administrativo Aloísio Campos para promover uma série de manifestações contra o atraso no repasse oficial de unidades habitacionais para as famílias em estado de vulnerabilidade social, bem como a construção de novas residências. Durante a mobilização de ontem, representantes de aproximadamente 250 famílias criticaram a administração municipal por pedir, perante ao poder judiciário do Estado de Sergipe, a reintegração de posse das casas ocupadas.

Minutos após invadir o prédio administrativo, líderes do movimento foram convidados a participar de reunião extraordinária com gestores da Secretaria Municipal da Assistência Social e Cidadania (Semasc), a fim de solucionar o impasse polarizado no bairro Santa Maria, zona de Expansão da capital sergipana. Conforme lamentação do morador José Adriano dos Santos, há mais de cinco meses as famílias tentam dialogar com a prefeitura com a proposta de encontrar soluções – mesmo que paliativas, para este caso. O ato público, segundo ele, foi deflagrado em virtude da falta de diálogo.

"Imagine você que situação difícil está,os passando: não temos local onde ficar com os nossos filhos; não é repassado nenhum tipo de auxílio moradia e a Prefeitura de Aracaju sequer entrega as casas que foram ocupadas. Todo esse ato foi planejado com o intuito de pressionar sem maiores desordens. Não queremos brigar; queremos apenas um canto para acomodar nossa família", declarou. Sobre a probabilidade de serem expulsos das casas ilegalmente ocupadas, Adriano disse que, caso esse pedido de reintegração seja efetivada, as crianças e idosos serão os primeiros a sofrer os impactos.

"São um pouco mais de 250 famílias; dentre elas temos muitas crianças e pessoas com mais de 60 anos de idade. Eu tenho 38 e posso me virar; aguento frio e chuva, mas as crianças não. Espero que o pessoal dos Direitos Humanos estejam atentos a esse tipo de problema e ajude a gente também", pontuou. A Prefeitura de Aracaju informou que está discutindo com as famílias. A proposta é seguir dialogando e contribuindo para que o cenário preocupante seja qualificado no menor curto prazo possível. Essa foi a primeira vez que Edvaldo Nogueira se sente pressionado e criticado por movimentos sociais de defesa de moradia popular após o retorno ao executivo de Aracaju.

Para o defensor público Sérgio Moraes, por se tratar de um pleito antigo por parte das famílias, é necessário que o prefeito, vereadores e demais gestores públicos estejam atentos à reivindicação e busquem atende-las. "Os gestores sabem do problema; muitos aracajuanos que leem jornal sabem da triste situação. Eu costumo dizer que essas pessoas infelizmente por falta de dignidade e oportunidade humana, vivem nas ocupações, à mingua de toda e qualquer assistência do poder público. Estamos acompanhando o caso e defendendo-os", comunicou. O prédio foi desocupado após a reunião interna.

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