Kátia Azevedo
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Quase duas semanas após a ocupação da antiga clínica psiquiátrica Santa Maria, na esquina entre as ruas Paraíba e Porto Alegre, no bairro Siqueira Campos, as famílias instaladas no local iniciaram um cadastro através do qual pretendem buscar junto à justiça a desapropriação da área para a construção de moradias.
O terreno, de propriedade particular, foi rapidamente ocupado por barracos erguidos desde o dia 03 de outubro, quando as famílias chegaram até o local. O prédio em ruínas está abrigando cerca de 225 famílias oriundas de vários bairros da capital. Muitas crianças e idosos também integram o grupo.
O coordenador do Movimento Sem Teto de Sergipe (MST-SE), Renê dos Santos Tavares, explica que as famílias são assalariadas e não podem pagar o aluguel. "Ou as pessoas comem ou conseguem manter um custo mensal de pagar um teto onde possam morar", salienta.
Ele informou que o cadastramento realizado pelo Movimento é para saber a real situação de moradia das famílias. "Através deste levantamento que começou na terça-feira queremos solicitar a desapropriação do terreno com encaminhamento do pedido na justiça federal para que haja a destinação do mesmo para a construção de moradia popular", destaca.
Renê enfatizou ainda que a instalação das famílias no local afastou riscos que antes existiam para a comunidade, a exemplo da utilização da área por dependentes químicos e ações de delitos como a prática de roubos e assaltos na região. "Desde que viemos para cá esses riscos diminuíram. As famílias que passaram a ocupar a área hoje trabalham e não são envolvidas com a criminalidade", enfatizou.
Renê ressaltou ainda que há necessidade da oferta de serviços para as famílias que ocupam o terreno. Ele conta que não há acesso a serviços básicos como os de energia elétrica, esgotamento sanitário e outras melhorais que interferem diretamente junto à população que está na área.
Na semana passada, um dos filhos do proprietário do imóvel, Ecílio Júnio, esteve na área através de uma denúncia e o coordenador do Movimento chegou a ser intimado a prestar esclarecimento na 2º Delegacia Metropolitana. Durante a apuração foi constatado que o imóvel foi hipotecado por conta de antigas dividas avaliadas em mais de R$15 milhões.


