Milton Alves Júnior
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Instaladas há mais de um ano no município da Barra dos Coqueiros, nas proximidades da praia do Jatobá, bem em frente ao Parque Eólico, mais de 250 famílias divididas em dois acampamentos, membros do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos de Sergipe (Motu), permanecem se multiplicando e sem nenhuma fiscalização por parte da administração municipal. Além das casas de taipa e palha, o movimento está evoluindo e as famílias já começam a construir imóveis de alvenaria, rede de saneamento básico e até garagem para carros e motos. Apesar dos avanços, alguns serviços básicos continuam clandestinos, como por exemplo, o fornecimento de energia.
Em constante conflito com técnicos da Energisa, moradores garantem que a empresa privada não pode adotar nenhuma ação judicial contra eles. Para Jaciara Santos, moradora da comunidade que fica instalada em frente ao Parque Eólico, a ser inaugurado na semana que vem pela presidente Dilma Rousseff, por diversas vezes a energia já foi cortada e reinstalada assim que a equipe se retirou. "Nós necessitamos de energia para sobreviver e é por isso que iremos sempre fazer o gato. Não temos dinheiro pra pagar as taxas da Energisa, nosso dinheiro quase não dá pra comprar os fios, imaginem pagar essa conta", declarou Jaciara que reside na invasão há oito meses.
Mesmo consciente que estão ocupando uma área imprópria, lideres comunitários instalaram faixas e cartazes na entrada principal da comunidade informando que a entrada de pessoas estranhas está impossibilitada. Caso seja parente de um dos moradores, uma comunicação oficial deve ser realizada. De acordo com Antônio dos Anjos, um dos representantes do Motu, algumas reuniões já foram feitas com representantes da Prefeitura da Barra dos Coqueiros e os ocupantes aguardam um novo espaço para se instalar. "Essa reunião foi feita em novembro e até agora nenhum posicionamento foi feito. Enquanto isso não ocorre, vamos permanecer aqui, da maneira que estamos", avisou.
Por estarem instalados na área onde a presidente Dilma Rousseff irá passar, alguns representantes de famílias temem a repressão por parte da prefeitura e garantem que irão reagir caso sejam obrigados a se retirarem. "Não é porque ela vai aparecer aqui na praia de Jatobá que o prefeito pode nos tirar assim, de uma hora pra outra. Queremos apenas ter o nosso direito de moradia. Não criamos intrigas com ninguém e não é agora que iremos fazer", disse Rebeca Travassos. Mãe de três filhas, a moradora afirmou ainda que deseja abraçar a presidente.
"Gostaria muito, mas pela quantidade de gente importante que vem acho que não será possível. Quem sabe ela olha por nós e fala com o prefeito e o governador pra ninguém mexer na gente", pontuou. Segundo informações não oficiais apresentadas pela própria direção do Motu, estima-se que atualmente cerca de 750 pessoas morem nas duas ocupações. Esse número poderia ser mais significativo caso os proprietários de casas abandonadas também ocupassem o espaço.
Prefeitura – A fim de questionar qual a atual situação judicial do Motu no município, a equipe do JORNAL DO DIA buscou entrar em contato com o prefeito Airton Martins, mas na porta da prefeitura foi informado que o atendimento está comprometido desde a última semana devido a reformas realizadas na sede do governo. Segundo vizinhos, há mais de dez dias que Airton Martins não aparece na prefeitura, e que conforme boatos repassados por servidores da própria administração municipal, o expediente só deve ser normalizado a partir da próxima segunda-feira, 28.


