Inocêncio Nóbrega
Desde Ato oficial da metrópole, de fevereiro de 1807, elevando o Rio G. do Sul à Capitania Geral de S. Pedro, desmembrando-o do Rio de Janeiro, cuja presidência cabendo ao brigadeiro João Carlos Saldanha e Daum, sua população, ainda que diminuta, vivia incomodada com a administração colonial, em parte alheia ao que se passava em longínquas terras da Colônia, em tenaz campanha pela Independência. Esta veio, quinze anos depois, em Setembro, mas não foi suficiente para levar tranquilidade à região, havendo a Câmara de Porto Alegre, submetido representação à gente gaúcha, pedindo a retirada do titular do comando da Junta. É que após o Grito do Ipiranga o governo provincial decretou a retirada de sua administração daqueles que não aceitassem a nova ordem institucional, decisão que não foi cumprida.
A situação permanecia tensa, sem que esse povo na verdade fosse tomado, de imediato, da sensação da autonomia Pátria, com todas suas regras. Premiavam-se os interesses locais, fruto dessa concepção o desencontro, político e bélico, com as nascidas facções legalistas, pois o Império impunha taxações indevidas e prejudiciais às principais atividades econômicas sulistas, calcadas no agropastoril e produção do charque. Rebelam-se os farrapos, uma estratificação social, cujos membros se caracterizavam por esfarrapadas vestimentas, feridas na sua dignidade.
Tinham em Bento Gonçalves exemplo de rebeldia, ampliando-se a bandeira para a proclamação da República Rio-Grandense. Diziam contar com várias câmaras municipais e simpatia de países, apesar de seu líder feito prisioneiro, dos quais esperavam recursos, os quais nunca chegaram, para manutenção da já declarada guerra declarada em 20.09.1835. Foram além da ideologia imperial, acolhida pelos demais brasileiros, pois defendiam aqueles o regime republicano. Por um decênio governou a província, promovendo medidas de impacto, especialmente na montagem da estrutura governamental.
Em 28.02.1846, são assinados os termos de paz, com Caxias prometendo anistia aos envolvidos. São justas as homenagens à data de Setembro, feriado estadual, anualmente celebrada a partir do dia 14, com variadas atrações: desfiles, muitas músicas, poesias e promoções culturais, organizadas pelos Centros de Tradição Gaúcha. O grandioso Rio Grande também nos pertence. É única, nossa história. À memória desses fatos lembremos da fome que consome a vida de nossos patrícios, de vestes rotas pela sua sobrevivência. São os farrapos de hoje, num constante Grito de Farroupilha, não diferindo dos de outrora.
Inocêncio Nóbrega, jornalista.


