Os empresários do comércio devem agir com cautela, principalmente neste primeiro trimestre de 2013, quando as vendas devem ter um crescimento mais cadenciado. A sugestão é de Gilson Figueiredo, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Sergipe (FCDL). Nesta entrevista, ele também fala sobre as mudanças anunciadas para a Guarda Municipal de Aracaju e elogia a indicação do empresário Walker Carvalho para a futura Secretaria Municipal da Indústria e Comércio.
JORNAL DO DIA – O ano de 2012 foi bom para o comércio varejista de Sergipe?
GILSON FIGUEIREDO – A minha avaliação sobre 2012 é positiva, apesar de alguns percalços ocorridos, principalmente no segundo semestre, quando o varejo começou a apresentar retração nas vendas em função de certas variáveis econômicas. Mesmo assim, considero que o ano foi bom, pois o comércio varejista vendeu um pouco mais do que em 2011. Naturalmente, não se atingiu os percentuais que se esperava. O setor trabalhava com um crescimento de 7% a 8% em relação ao ano anterior, e as vendas cresceram cerca de 4%.
JD – O senhor está otimista com o 2013 que está começando?
GF – Olha, a expectativa do setor em relação a este ano ainda é positiva. Todos sabem que este primeiro trimestre vai exigir muita calma dos varejistas principalmente, pois começam a surgir sinais de que as vendas voltarão a um patamar de crescimento mais cadenciado. Um dos principais motivos para que isso ocorra é justamente a inadimplência que continua elevada e isso demora para ser sanado. Algumas medidas adotadas na esfera federal, como a volta da cobrança do IPI para automóveis, sinalizam que o governo está tentando preparar o Brasil para enfrentar os efeitos da crise econômica internacional. Portanto, entendo que todos devem ter muita calma nos primeiros três meses de 2013 e observar como a situação vai se comportar. Isso é crucial para se definir as ações a serem tomadas no decorrer do ano.
JD – O que mais dificulta o desenvolvimento das empresas?
GF – Os fatores que continuam prejudicando muito a classe empresarial são aqueles já conhecidos de todos, embora nada tenha sido feito visando reduzir seus efeitos. Estamos falando da elevada carga tributária do país e a própria legislação trabalhista, que não consegue trilhar o caminho da modernidade, apesar das promessas feitas ao longo dos anos.
JD – A indicação de Walker Carvalho para a futura Secretaria de Indústria e Comércio de Aracaju atendeu as expectativas dos empresários?
GF – Acredito que sim. Walker é um empresário muito experiente, ex-presidente da Federação do Comércio de Sergipe, possui um excelente relacionamento com a classe empresarial, além de ser uma pessoa muito próxima do prefeito João Alves Filho. Portanto, acho que o setor estará muito bem representado, pois o secretário sempre foi um grande porta-voz dos anseios da classe empresarial por conhecer muito os nossos problemas. Quero dizer que o prefeito foi feliz ao indicar Walker e tenho certeza que ele vai realizar um bom trabalho à frente da Secretaria.
JD – Qual a expectativa dos empresários do comércio em torno das modificações anunciadas pelo prefeito João Alves Filho para a Guarda Municipal de Aracaju?
GF – Os empresários esperam essas anunciadas mudanças com muita expectativa. No final de 2012, a Secretaria da Segurança Pública montou um esquema muito bom, principalmente no centro comercial, o que demonstra que quando há um planejamento bem feito os resultados são positivos. A presença da polícia não acaba com a criminalidade, mas melhora significativamente. Voltando à Guarda Municipal, as mudanças anunciadas serão muito bem vindas, pois o comércio e a população em geral terão mais uma opção de segurança. A própria escolha da delegada Georlize Teles para comandar a Guarda foi acertada por se tratar de uma profissional bastante experiente na área, já tendo sido, inclusive, secretária da Segurança Pública.
JD – A inadimplência continua elevada. No seu modo de entender, por que isso continua ocorrendo?
GF – Existem vários favores para isso. O SPC Brasil fez uma pesquisa mostrando dados interessantes relativos ao final de 2012. 20% dos entrevistados alegaram que o desemprego é a causa principal da inadimplência, enquanto 32% culparam o descontrole e o impulso. O levantamento também revela que os segmentos mais afetados pela inadimplência são roupas e calçados (62%), eletrodomésticos (29%) e móveis (14%). Entre os inadimplentes, 63% são homens e 37% mulheres, e os valores devidos são R$ 2 mil a R$ 4 mil para os homens e R$ 1 mil e R$ 2 mil para as mulheres.
JD – A liberação pela Prefeitura para se estacionar veículos no centro de Aracaju contribuiu para aumentar as vendas em dezembro passado?
GF – Fazendo uma análise global, posso afirmar que não. O comércio do centro da cidade vendeu o que venderia mesmo sem a liberação do estacionamento. Não se pode dizer que as vendas de final de ano aumentaram por conta dessa medida. Naturalmente, a liberação facilitou muito, mas não podemos dizer que este foi o principal motivo para elevar as vendas no período. É importante ressaltar que a área central da cidade continua sendo um importante centro de compras. Pesquisas mostram que o melhor centro de compras entre todas as capitais do Nordeste é o de Aracaju. Não é por outro motivo que grandes redes, como as Casas Bahia, têm se instalado em nosso centro comercial.


