Kátia Azevedo
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A tradicional procissão fluvial que encerra a Festa de Bom Jesus dos Navegantes no município ribeirinho de Propriá, distante 98 km de Aracaju, terminou de forma trágica no domingo, 27, com uma morte, um desaparecimento, quatro naufrágios e 21 casos de princípio de afogamento.
No município de Telha, que fica vizinho a Propriá, onde existe uma adutora, um alagoano de 55 anos identificado como Ivan Costa morreu afogado. E ainda existe um desaparecido, o adolescente Maxwel Tavares, de 16 anos, natural do município sergipano de Itabaiana, mas morador do bairro América, em Aracaju.
As buscas continuam sendo realizadas nos municípios de Telha e Propriá, em todo o percurso do Rio São Francisco. Há quase cem anos, sempre no final do mês de janeiro, a procissão concentra centenas de fiéis que seguem o mesmo roteiro de barco do município sergipano de Propriá até Porto Real do Colégio, em Alagoas.
Todos os anos, a cidade recebe milhares de visitantes devotos do Bom Jesus dos Navegantes. Segundo o sargento Cinério, do Corpo de Bombeiros, as cenas de afogamento foram assustadoras. "Registramos 21 princípios de afogamento. Era preciso ter muito cuidado. O rio está seco e o leito está muito próximo, isso facilitou os casos de afogamento", explicou.
O sargento do Corpo de Bombeiros ressaltou ainda que quatro embarcações sofreram naufrágio, muito por conta do peso e da baixa do rio. "O sistema de prevenção foi feito e deixamos o alerta sobre o risco, mas esses casos foram fatalidades", destacou ao dizer ainda que continuam as buscas pelo corpo do adolescente.
A Festa do Bom Jesus dos Navegantes encerra o ciclo natalino em Sergipe com as procissões fluviais de Aracaju, Pirambu/Maribondo, Laranjeiras, Neópolis e Propriá. Em 2013, a programação foi iniciada no dia 19 e se encerrou neste domingo, 27, com a procissão fluvial. O cortejo seguiu pelas águas do Velho Chico com dezenas de embarcações cheias de devotos. A procissão percorre as margens do rio passando por cidades ribeirinhas do estado de Alagoas. De volta a Sergipe, a imagem é saudada com uma queima de fogos.
O evento é uma das festas religiosas e mais populares do Brasil. Durante a procissão, pescadores pedem proteção para navegarem sobre o rio São Francisco. Para reforçar a segurança, a Prefeitura de Propriá, em parceria com a secretaria de Estado da Segurança Pública, organizou um esquema de reforço na segurança e organização do trânsito durante a festa, com a presença de três equipes da Polícia Civil, além de mais oficiais da Polícia Militar (Gate, Choque, Caatinga, GTAN, Corpo de Bombeiros) e Marinha do Brasil.
A festa – Tradicionalmente realizada no final do mês de janeiro, a festa atrai milhares de sergipanos e comunidades de alguns municípios alagoanos, com grande aglomeração de pessoas.
A procissão fluvial encerra o ciclo natalino. Saindo da Catedral Diocesana, embarcada em catamarã, a imagem e o cortejo de dezenas de embarcações percorrem o rio no trecho que banha os municípios de Propriá, Telha/Praia da Adutora (Sergipe), Porto Real do Colégio e Aldeia Cariri-Xocó e São Brás/Povoado Sampaio (Alagoas).
Na passagem no trajeto de ida e volta o cortejo é saudado por queima de fogos em quatro pontos da cidade, onde estão os mastros da Banca do Peixe, Quintino Bocaiuva, Poeira/Matadouro e Nelson Melo/Praianha, e depois da chegada em terra, missa uma campal encerra as festividades que enchem nossos, olhos, corações e mentes.
Desde o seu primeiro dia/noite, procissões, missas, atividades culturais e artísticas movimentaram a cidade de Propriá, que se constitui neste período no centro da fé e religiosiade popular, reafirmando uma das mais importantes manifestações do catolicismo em Sergipe, uma das maiores do país.


