Festejos juninos oferecem oportunidades de lucro

Milton Alves Júnior

 

Enquanto bandas, trios pé-de-serra, quadrilhas juninas e hotéis seguem se desdobrando na luta pelo lucro durante o mês de junho,  diante da crise pública responsável por promover os grandes arraiais em Sergipe, donos de casas no município de Capela se apegam à tradição do forte festejo em homenagem a São Pedro, e alugam casas por até R$ 8.000 para três dias de evento. Até a última sexta-feira cerca de 50 casas dos mais variados tamanhos e localidades já haviam sido alugadas para recepcionar mais de 12 mil forrozeiros que partem, em especial, dos municípios que formam a Grande Aracaju.

A tradição do festival se arrasta há dezenas de anos na cidade quando um grupo de moradores decidiu seguir os folclores europeus, de origem pagã, e erguer um mastro como forma de simbolizar a força e fertilidade masculina. Apesar da cultural, Capela sentia a necessidade de expandir esta tradição e atrair turistas para que pudessem aquecer a economia local. No início da década passada houve um investimento maior em divulgação e programação com bandas conhecidas nacionalmente e isso fez com que o cenário fosse tomando nova forma. No ano passado, para se ter ideia da grandiosidade da festa, cerca de 60 mil pessoas acompanharam os festejos na região.

Adepto ao São Pedro de Capela desde 2002, o professor de Educação Física, Marcelo Fontes, há três anos consecutivos instala uma casa de apoio para amigos. Esse ano a perspectiva é de aproximadamente 140 pessoas por noite. "Eu vinha pra cá sempre nos bate-volta que sempre saíram aqui de Aracaju. Em 2013 eu e uns amigos percebemos a necessidade de alugar uma casa e em 2014 alugamos uma casa por R$ 1.500 para ser dividido entre os amigos e familiares. Depois decidimos abrir para o público externo e esse ano devemos bater o recorde de público", disse. Este ano a casa foi alugada por R$ 4.800.

Além das atrações musicais do evento publico, as casas com pacote básico costumam  oferecer acomodação, banheiros privativos e segurança; já os imóveis que custam acima de R$ 250 por pessoa para cada dia de evento, dispõem de bebida no estilo open bar, alimentação e bandas particulares.

 

Chinelos – O comércio das famosas priquitinhas – sandália feita de couro, seguem em alta neste período junino com registro de aumento nas vendas em até 40% se comparado com os demais meses do ano. Variando entre R$ 10 e R$ 25, o centro da capital sergipana está repleta de vendedores em busca de novos clientes. Para o comerciante José da Paixão Santos, a perspectiva é que o fluxo das vendas comece a apresentar redução. Ele explicou ao Jornal do Dia os motivos.

"São raras as pessoas que usam esse tipo de chinelo o dia-a-dia aqui na capital. A venda é forte mesmo entre o final de maio e até agora dia 09 e 10 de junho porque é o período de festa junina nas escolas. Grande parte das vendas vai para as crianças, a outra vai para os quadrilheiros que também compram com antecedência. Daqui pra frente se eu vender muito são 40 pares, mas não posso reclamar porque a venda até agora foi boa", avaliou.

 

Alimentos – Se de um lado as vendas começam a esfriar no setor do típico calçado, o movimento nos corredores do Mercado Albano Franco tendem a ficar cada vez mais movimentados diante da aproximação das noites de São João e São Pedro. Barracas de milho, amendoim e coco apresentam ampliação no índice consumidores adquirindo os produtos de imediato, ou mesmo se precavendo e realizando encomendas. Situação semelhante é possível encontrar nos supermercados que revendem em atacado. Venda de bebidas e carnes em espetinhos devem subir cerca de 20% nos próximos dez dias.

Compartilhe esta notícia