Milton Alves Júnior
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Passam-se os meses e o impasse administrativo entre servidores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e o Governo do Estado de Sergipe continua interferindo diretamente no dia-a-dia dos clientes que necessitam realizar algum procedimento nas centrais de atendimento. Durante todo o dia de ontem contribuintes de diversos municípios sergipanos reclamavam via redes sociais de uma possível ‘greve branca’ articulada por mais de 130 funcionários da autarquia que permanecem sem receber o salário referente ao último mês de novembro. Sem atendimento via telefone nas unidades do Centro de Atendimento ao Cidadão (Ceac), um grande número de pessoas se dirigiu à sede do Detran, em Aracaju, em busca de informações.
Enquanto muitos enfrentavam grandes filas de espera na sede, dezenas de motoristas foram obrigados a enfrentar o sol quente na área externa do shopping Riomar a fim de realizar a vistoria do automóvel. Na tentativa de diminuir os transtornos, o órgão estadual vem promovendo uma serie de mutirões de atendimento, mas o déficit deixado pelos servidores durante quase dois meses de paralisação parece não ter fim. De acordo com o promotor de eventos, André Muller, é necessário que um entendimento seja de imediato promovido para o bem geral da população.
Segundo ele, apesar dos funcionários terem decidido retornar às atividades, o ‘corpo mole’ interfere no andamento do serviço. "Acabaram o ano sem estar em greve, mas esses problemas enfrentados desde o início do ano passado estão contribuindo para essa falta de respeito com nós sergipanos. Já pagamos tão caro por essas taxas cobradas pelo Detran e o Governo do Estado não toma uma atitude definitiva para resolver esses problemas", lamentou.
Para o presidente do Sindicato dos Servidores do Detran, Thiago Bomfim, os funcionários decidiram em assembleia retornar às atividades, mas permanecer mobilizados. Isso não caracterizaria uma greve parcial. Até o presente momento sem a promoção de nenhum entendimento com a direção do órgão, o sindicalista garantiu que os servidores vão permanecer pleiteando melhorias.
"Já entramos com um mandado de segurança e vamos ajuizar novas ações judiciais para garantir que todos os direitos dos trabalhadores sejam devidamente mantidos como manda a nossa legislação. Não queremos atrapalhar a vida de ninguém, apenas que o nosso plano de carreira seja respeitado pela direção do Detran", declarou.
Enquanto o serviço não é regularizado e os gestores estaduais não põem um fim nesse debate junto aos respectivos servidores, a população que diz não aguentar tamanho impasse, continua se queixando do atual governo.
Indignada por enfrentar uma fila por mais de três horas, a professora Ana Luíza Cardoso disse ter enfrentado o mesmo caos em menos de 30 dias. "Tentei realizar a vistoria no mês passado, mas o cenário era esse mesmo aqui. Nos tais mutirões eu até pensei em ir, mas achei que todo mundo iria também e decidi vim hoje. Não sei se foi pior, mas a minha paciência já esgotou. Os telefones não atendem e a insatisfação só aumenta", afirmou.
Na tarde de ontem o Jornal do Dia tentou conversar com algum representante do Detran, mas nenhum foi encontrado na sede da autarquia para prestar esclarecimentos quanto a demora no atendimento e situação dos servidores. As tentativas seguiram pelos telefones móveis e funcionais concedido aos gestores, mas todos estavam desligados.


