Quinta, 18 De Julho De 2024
       
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Filiação de Danielle ao MDB não muda planos do bloco governista


Publicado em 27 de janeiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


A filiação da delegada Danielle Garcia ao MDB, na quarta-feira (24), foi festejada pelo governador Fábio Mitidieri (PSD) e o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), 
como se o bloco governista tivesse recebido uma adesão de peso. Uma bobagem. A delegada é secretária especial de Políticas para as Mulheres e está no grupo desde as eleições passadas.
Outro aspecto a ser considerado: a delegada é uma ‘reserva’ de luxo na disputa pela Prefeitura de Aracaju e apontada como virtual candidata a vice-prefeita de Luiz Roberto (PDT), o nome que será indicado por Edvaldo como candidato a prefeito de Aracaju. Mitidieri vem dando sinais claros de que pretende manter a aliança com o prefeito na eleição municipal.
Nas eleições gerais de 2022, Danielle obteve 206 mil votos e ficou na quarta posição como candidata ao Senado pelo inexpressivo Podemos. Em 2020, forçou Edvaldo a disputar um inesperado segundo turno. Terminou com 55.973votos (21%) dos votos válidos, quando o prefeito eleito alcançou 119 mil votos (45%) do eleitorado.
A sua participação nesses pleitos, mesmo sem êxito, chamou a atenção dos grandes caciques da política sergipana. Danielle tem condições de alavancar uma candidatura sem grande respaldo popular, apesar dos esforços próprios e dos seus líderes. Como candidato a deputado federal com o apoio de Edvaldo e toda a máquina da PMA, Luiz Roberto alcançou 35 mil votos, a maioria na capital, mas dificilmente a cúpula partidária pode vir a aceitar que a delegada venha a liderar a chapa, caso a candidatura do pedetista não deslanche.
A mulher é vista na política brasileira – em Sergipe mais ainda – como um quadro complementar. Pode ajudar a ganhar, mas não liderar uma eleição. A ex-vice-governadora Eliane Aquino, viúva de Marcelo Déda, é o exemplo mais recente no estado: em 2018 aparecia muito bem posicionada nas pesquisas para governador, mas acabou sendo levada a aceitar ser candidata a vice-governadora na chapa de Belivaldo Chagas (PSD).
Nem mesmo a possibilidade de vir a ter outras mulheres como adversárias diretas na disputa pela PMA amplia as chances de Danielle vir a ser a candidata a prefeita – e não a vice. Em 2020, Edvaldo disputou tendo a delegada Katarina Feitoza como vice, nome escolhido a dedo por Belivaldo para contrapor com Danielle.
O PT sinaliza que a jornalista Candisse Carvalho, mulher do senador Rogério Carvalho, deverá ser a candidata a prefeita, caso Eliane Aquino desista mesmo de participar do pleito. A vereadora Emília Correia (PRD) é quem lidera as pesquisas até agora, apesar de a sua candidatura ainda ser uma dúvida, e há a perspectiva de a deputada federal Yandra Moura (União), filha do ex-deputado André Moura, também vir a participar do pleito.
Independente do gênero, o prefeito eleito vai receber uma prefeitura bem diferente da Edvaldo em 2017, após quatro anos de uma administração desastrada de João Alves Filho. Os servidores estavam com dois meses de salários atrasados, coleta de lixo suspensa, dívidas com prestadores de serviços, empreiteiros e fornecedores, e postos de saúde com atendimento precário.
Foi preciso um trabalho minucioso para a reconstrução e organização da cidade, com sucesso ao longo dos quatro anos, permitindo que chegasse na eleição estadual de 2018 em condições de participar como importante cabo eleitoral, permitindo a manutenção do grupo no poder. A reeleição em 2020 e aprovação pela população tanto do modelo de gestão quanto da forma de atuação pessoal do prefeito, levaram Edvaldo a condição de um dos candidatos favoritos à disputa da sucessão do então governador.
Durante a filiação de Danielle ao MDB, o senador Alessandro Vieira, novo cacique do partido no estado, ressaltou que “o MDB se coloca à disposição com um nome forte, competitivo, com uma pré-candidatura à prefeitura da cidade, de Danielle Garcia, mas principalmente a disponibilidade do bom debate político, que constrói, que traz soluções”. E, à Rita Oliveira, negou a preparação de uma candidatura a vice: “Não tem construção de vice. Será uma decisão dela. Danielle é o nome mais competitivo, tem condições política de ser candidata a prefeita.  Ninguém manda no destino político de ninguém”.
A filiação de Danielle ao MDB não deve mudar os planos do bloco governista na disputa pela Prefeitura de Aracaju, mas poderá levar os líderes partidários a uma nova reflexão sobre o papel da mulher – a maioria do eleitorado – na política sergipana.
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