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Tragédias (no plural)


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Publicado em 26 de janeiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


No Brasil, os crimes ambientais raramente recebem punição à altura do estrago. A tragédia de Brumadinho, no interior de Minas Gerais, soterrada pelos rejeitos de uma mineradora, é exemplar. A cidade inteira foi coberta pela lama. No entanto, a empresa Vale do Rio Doce continuou a operar normalmente.
Ontem, duzentas e setenta e duas cruzes de madeira foram instaladas no gramado central da Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. A iniciativa de um deputado federal reivindica justiça para as vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.
A sucessão de tragédias de todas as ordens, desde a sanitária até a econômica e ambiental, relegou episódios lamentáveis aos escaninhos da memória. O óleo derramado sobre todo o litoral nordestino, ainda no início do governo Bolsonaro, no entanto, não tem nada de ordinário. Mesmo assim, virou notícia velha antes mesmo de responsabilidades chegarem a ser apuradas.
O horror já não choca, virou matéria ordinária. Brumadinho, o óleo derramado no litoral nordestino, o caso provocado pela mineradora Braskem, em Maceió, onde bairros inteiros afundaram em função do extrativismo mais primitivo, desalojando grande parte da população, provam que o poder econômico ainda prevalece sobre o interesse coletivo.
Muitas vezes, conclui-se, o desenvolvimentismo se opõe na prática à justiça social.

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