Fim de festa para um homem só

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Aparentemente, lllu-
cas (grafado assim 
mesmo, com três "L" minúsculos, um atrás do outro) não tem um pingo de ambição, nenhuma fé na vida. E só por isso o EP ‘Creme azedo’ periga passar em brancas nuvens. Jogado sem a menor cerimônia nas plataformas de streaming, há poucos dias, o registro permanece praticamente inaudito. E, no entanto, dá sim muito pano pra manga.
Trata-se aqui de um esforço autoral praticamente solitário. De acordo com a ficha técnica do petardo, lllucas fez quase tudo sozinho. Lauro Francis e Leo Airplane colaboraram com a produção das três faixas, além de uma vinheta. Mas, de resto, ‘Creme azedo’ é trabalho de um homem só – O que talvez explique o humor cáustico e o climão "fim de festa" destas canções.
O batismo do EP não deixa ninguém mentir: ‘Creme azedo’ se assemelha a um lamento irônico, um grito auto depreciativo que ecoa por dentro. Neste particular, o andamento arrastado e a voz de lllucas, com modulação entre contida e lombrada, sublinham o sentimento meio "blues" guardado nas entrelinhas de cada uma das faixas. E o tempo bem marcado em uma bateria eletrônica sepulta de uma vez por todas qualquer esperança de contemporização.
‘Lauro, sem sorte’ (uma piada interna?), a primeira faixa, menciona promessas não cumpridas; ‘Medusa’, um arrocha melancólico, confunde afeto e força, a regra de ouro de qualquer relação de bosta; ‘Marca de óleo’ fecha o disco com um muxoxo velado, disfarçado em metáfora. 
A impressão de pé na lama, contudo, jamais se sobrepõe ao deleite proporcionado pelas composições assinadas por lllucas. Compositor competente, ele soube comunicar o que bem entendeu de maneira muito direta. Embalado a muita fossa, o EP é simples e bem realizado. Ironia das ironias, o saldo é positivo.

Aparentemente, lllu- cas (grafado assim  mesmo, com três "L" minúsculos, um atrás do outro) não tem um pingo de ambição, nenhuma fé na vida. E só por isso o EP ‘Creme azedo’ periga passar em brancas nuvens. Jogado sem a menor cerimônia nas plataformas de streaming, há poucos dias, o registro permanece praticamente inaudito. E, no entanto, dá sim muito pano pra manga.
Trata-se aqui de um esforço autoral praticamente solitário. De acordo com a ficha técnica do petardo, lllucas fez quase tudo sozinho. Lauro Francis e Leo Airplane colaboraram com a produção das três faixas, além de uma vinheta. Mas, de resto, ‘Creme azedo’ é trabalho de um homem só – O que talvez explique o humor cáustico e o climão "fim de festa" destas canções.
O batismo do EP não deixa ninguém mentir: ‘Creme azedo’ se assemelha a um lamento irônico, um grito auto depreciativo que ecoa por dentro. Neste particular, o andamento arrastado e a voz de lllucas, com modulação entre contida e lombrada, sublinham o sentimento meio "blues" guardado nas entrelinhas de cada uma das faixas. E o tempo bem marcado em uma bateria eletrônica sepulta de uma vez por todas qualquer esperança de contemporização.
‘Lauro, sem sorte’ (uma piada interna?), a primeira faixa, menciona promessas não cumpridas; ‘Medusa’, um arrocha melancólico, confunde afeto e força, a regra de ouro de qualquer relação de bosta; ‘Marca de óleo’ fecha o disco com um muxoxo velado, disfarçado em metáfora. 
A impressão de pé na lama, contudo, jamais se sobrepõe ao deleite proporcionado pelas composições assinadas por lllucas. Compositor competente, ele soube comunicar o que bem entendeu de maneira muito direta. Embalado a muita fossa, o EP é simples e bem realizado. Ironia das ironias, o saldo é positivo.

 

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