A polícia sergipana registrou neste final de semana um total de 15 homicídios por arma de fogo, o que representa mais de 80% do total registrado pelo Instituto Médico Legal (IML) entre a madrugada de sábado e a manhã de ontem. Ao todo, foram 19 mortes violentas, incluindo duas vítimas de acidente de trânsito e outras duas por causa indeterminada. Destes assassinatos, sete aconteceram em Aracaju e dois na região metropolitana (Barra dos Coqueiros e Nossa Senhora do Socorro).
O crime de maior destaque na capital foi uma chacina ocorrida no Loteamento Porto do Gringo, bairro Soledade (zona norte), no começo da tarde de sábado. Segundo a polícia, dois criminosos em uma moto foram até uma casa na Rua A, onde cinco amigos bebiam e conversavam. Os dois criminosos entraram na casa disparando vários tiros, tentando executar todos os rapazes. Dois deles, Luiz Carlos Ferreira dos Santos, 31 anos, e André Luiz Santos Mota, 33, morreram dentro da casa. O terceiro jovem, Ithalo Yhago dos Santos, 22, ainda tentou fugir e invadiu a casa de um comerciante da rua, mas caiu no quintal da residência e não resistiu. As vítimas foram atingidas na altura do peito e da cabeça.
Os outros dois homens que estavam na casa conseguiram fugir do ataque, entrando por um manguezal. Um dos sobreviventes até voltou ao local do crime, horas mais tarde, mas, com medo, deu poucas informações sobre o que pode ter motivado a chacina. O outro, por sua vez, foi ferido nas mãos e atendido em um pronto-socorro. Os assassinos escaparam logo em seguida. Policiais militares que estiveram no local do crime disseram que os jovens baleados estariam jurados de morte pelos assassinos, por causa de um suposto vídeo no qual um dos rapazes aparece fazendo ameaças a um grupo rival. A Polícia Civil, no entanto, não confirma a informação e diz que o caso já está sendo investigado sob sigilo.
Também não há pistas sobre o assassinato do pedreiro Jackson Antonio da Silva, 26, baleado por volta das 20h de domingo, ao passar pela ponte de acesso ao Conjunto Marcos Freire I, em Socorro. Sem se identificar e com medo de represálias, parentes do pedreiro denunciam que ele foi atacado por um homem de aproximadamente 50 anos que se identificou como policial civil e estava em um VW Voyage de cor branca quando abordou a vítima. Jackson, por sua vez, estava acompanhado por um vizinho em um posto de gasolina, enquanto abastecia a moto.
Ainda conforme os familiares, o suposto policial teria agredido Jackson e atirado nele depois de ter supostamente obrigado os dois amigos a irem a pé para casa. O acompanhante, por sua vez, diz ter escapado do ataque porque pulou da ponte em direção ao rio. O DHPP também investiga o caso e a Polícia Civil informou que vai procurar os parentes do pedreiro para que eles formalizem uma denúncia na Corregedoria do órgão, a fim de identificar quem é o suposto agente. No começo da noite, um grupo de moradores interditou o trânsito na ponte do Marcos Freire e fez um protesto exigindo a prisão e condenação do suposto policial.
Interior – As outras seis mortes por arma de fogo aconteceram nas cidades de Itabaiana, Estância, Propriá e Tobias Barreto. O caso de maior repercussão foi o assassinato de dois adolescentes que saíam de uma festa no estacionamento do Estádio Estadual Etelvino Mendonça, centro de Itabaiana, ao início da manhã deste domingo.
Os irmãos Ubaldo Epifânio da Silva Filho, 17, e Wellington Epifânio da Silva, 16, teriam presenciado uma briga que ocorreu dentro da festa e, ao pararem em uma lanchonete próxima, foram surpreendidos por um homem que xingou as vítimas, sacou uma pistola e disparou vários tiros. A polícia chegou rápido ao local, mas não conseguiu alcançar o assassino, que fugiu pilotando uma moto. O crime é investigado pela Delegacia Regional de Itabaiana.


