Final de semana registra mais 15 assassinatos no Estado de Sergipe

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Repete-se a macabra estatística dos homicídios cometidos ao longo dos finais de semana. Entre a noite de sexta-feira e a manhã de ontem, 15 corpos de vítimas de assassinato foram recolhidas em todo o Estado pelas equipes do Instituto Médico Legal (IML). Este total representa a grande maioria dos 24 ocorrências registradas pelo órgão no mesmo período, e também em todo o Estado. De todos os homicídios, apenas um teve o uso de armas brancas, enquanto os restantes foram provocados por armas de fogo. A Grande Aracaju teve a maioria dos crimes, sendo quatro na capital, três em Nossa Senhora do Socorro e um na Barra dos Coqueiros.
Um dos casos de maior destaque foi o de Dorgival Luciano dos Santos, o "Compadre", 47 anos, um dos condenados pela morte do deputado estadual Joaldo Barbosa, em janeiro de 2003. Dorgival tinha sido posto em liberdade há poucos dias e morreu sábado à tarde, na porta de um condomínio de apartamentos do bairro 17 de Março (zona de expansão). Segundo testemunhas, ele foi surpreendido por três homens que chegaram ao local em um carro de cor prata e deram-lhe três tiros de pistola, atingindo-o principalmente no peito e na cabeça. Ele caiu morto na porta do prédio e os assassinos fugiram. Além do crime contra Joaldo, "Compadre" também ficou preso por um sequestro com reféns ocorrido no restaurante Gohan, na Orla de Atalaia (zona sul), em dezembro de 2014.
Outro crime aconteceu na Barra, em um bar na Praia da Costa, domingo à noite. Testemunhas relatam que um homem de 27 anos que frequentava o estabelecimento sacou um revólver e teria anunciado um assalto. Durante o incidente, o suspeito atirou contra um funcionário do bar, deixando-o em estado grave. Os outros frequentadores reagiram e partiram para cima do atirador, armando-se com paus, cadeiras e garrafas. O suspeito acabou linchado e morreu no meio da rua, antes da chegada do socorro médico. Inicialmente, chegou-se a dizer que a vítima era um policial civil, mas esta informação foi logo desmentida pela própria polícia.
No interior, houve sete assassinatos. Destes, um dos principais foi a morte de um homem de 42 anos, que foi executado dentro da própria casa, no conjunto José Dantas Filho, em Feira Nova. Segundo a polícia, dois homens pararam diante da casa da vítima e chamaram pelo nome. Quando ele apareceu na porta, os marginais quebraram uma grade e correram atrás de José, que foi alcançado no quintal e baleado várias vezes. Os bandidos fugiram. As outras mortes ocorreram nas cidades de Itabaiana, Areia Branca, Poço Verde, Campo do Brito e Nossa Senhora das Dores.

Acidente – Das outras nove mortes registradas no fim de semana, duas foram causadas por queda, duas por acidente de trânsito, duas por afogamento, uma por enforcamento e uma não teve a causa identificada. O caso de maior repercussão foi o atropelamento do ciclista Djalma Cruz, 71, conhecido como "Vovô" e um dos fundadores do grupo ciclístico Os Zuandeiros. Ele foi atingido por um carro de passeio na BR-101, altura de Nossa Senhora do Socorro, próximo à saída de Aracaju. Segundo informações da família, Djalma tinha acabado de fazer uma trilha na região de São Cristóvão e estava a caminho da capital, quando foi atingido por um VW Santana.
O motorista do veículo fugiu sem dar socorro e o ciclista chegou a ser internado em estado grave no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas não resistiu a duas paradas cardíacas e morreu no final da tarde. "Vovô" teve quatro filhos e era considerado um dos mais experientes ciclistas do Estado. O corpo foi sepultado ontem de manhã, no Cemitério Colina da Saudade, no Santa Lúcia, sob comoção e homenagens dos grupos de ciclismo. O acidente deve ser investigado pela Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT).

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