Gabriel Damásio
Familiares do lavador de carros Manuel Messias Santos, 39 anos, que morreu na noite desta quinta-feira, após passar 18 dias internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), querem que a polícia agilize as investigações sobre o crime que causou sua morte. Segundo a família, ele foi espancado por seis homens na noite do dia 29 de março, durante uma confusão na Praça Godofredo Diniz, centro da capital, junto ao Terminal Rodoviário Luiz Garcia. Na ocasião, Manuel levou várias pauladas na cabeça e chegou a ser socorrido pelo Samu e pela Polícia Militar.
De acordo com o filho do flanelinha, que preferiu não se identificar, tudo aconteceu depois de um desentendimento entre Manuel e um homem com quem jogava baralho em uma mesa improvisada. "Um cara que nem conhecia o mandou destrocar R$ 100, e quando meu pai voltou, ele não estava mais no lugar. Quando foi no outro dia, o cara pensou que meu pai tinha ficado como dinheiro e voltou lá com mais cinco caras. Teve a confusão e os caras deram um monte de pauladas nele. Bateram tanto que ele teve que ir para o hospital", disse ele. A vítima não resistiu às consequências dos golpes que sofreu, principalmente na cabeça.
Ainda segundo o filho de Manuel, que seguiu o ofício do pai e também guarda carros em ruas do centro da capital, os seis agressores fugiram logo após a briga, mas podiam ser vistos circulando livremente pelo Centro, perto do local onde a briga aconteceu. "Os dois nem se conheciam. A polícia até apareceu lá, mas ninguém quis dar informações e não prenderam ninguém. Esses caras ainda andam ali na praça do lotação [Godofredo Diniz]", afirmou o parente, reclamando ainda que ninguém da polícia sabia dar informações à família.
O corpo foi liberado na última quinta-feira pelo Instituto Médico-Legal (IML) e sepultado no Cemitério São João Batista. A família de Manuel, que guardava carros no centro há mais de 15 anos, está indignada. "A gente não esperava isso. Meu pai não tinha problema com ninguém. Só bebia as cachaças dele e jogava o baralho dele, depois que ele trabalhava. E agora eu estou aqui, ganhando o pão de cada dia que ele ganhava", lamentou o filho.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, a partir da confirmação da morte do flanelinha, o crime passará a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que vai fazer um levantamento da ocorrência junto ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp). Disse também que a Polícia Militar deve instalar uma Base Móvel de policiamento na Praça Godofredo Diniz, pois existem várias reclamações da população quanto à ação de mendigos, prostitutas, cambistas, traficantes e usuários de drogas que circulam pela região durante a noite, se envolvendo em brigas, assaltos e pequenos furtos. (com 930 AM).


