Fogo consome área na Serra de Itabaiana

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Mais de 200 hectares de vegetação foram destruídos pelo fogo que atingiu a Serra de Itabaiana-Parque Nacional, localizada entre os municípios de Areia Branca e Itabaiana, distante 58 quilômetros da capital sergipana. O incêndio começou na Serra Ribeira e se prolongou até o Cajueiro, em Areia Branca.

Segundo o representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que é o responsável pelo Parque, Marleno Costa, o incêndio foi identificado por volta das 11h30 de terça-feira, 25, porém, ainda ontem à tarde, 26, mais de 24h depois do seu início, era possível ver fogo na vegetação.

Marleno contou que houve dificuldade para conter as chamas, pois o local era de difícil acesso por se tratar de mata fechada. "Conseguimos controlar por volta das 10h50 de hoje (ontem), mas logo depois o fogo tornou a voltar. A previsão é que o incêndio fosse controlado até às 20h de ontem, quarta-feira", previu. O período noturno é propício para o término do fogo, já que a temperatura diminui na serra.

No início brigadistas, bombeiros e voluntários trabalharam com o intuito de combater as chamas. Ontem, apenas brigadistas faziam o trabalho com abafadores. Nesse caso a bomba costal não foi utilizada, já que pesa 20 quilos. Com o peso, seria mais difícil a chegada dos brigadistas até o foco do incêndio.

A Brigada de Incêndio da serra foi composta por 15 pessoas, que de acordo com Marleno é insuficiente para conter um incêndio desse tipo, com grandes proporções. "A região é montanhosa e para chegar ao local foi preciso muita caminhada, o que causa cansaço nas pessoas. Para essa situação seriam necessárias aproximadamente 30 brigadistas", revelou.

A causa do incêndio ainda não foi identificada, mas Marleno acredita que pode ter sido provocado por alguma pessoa, porém, ele ressalta que apenas a perícia irá detalhar o que de fato ocasionou o fogo. "Há muitas queimadas na Serra de Itabaiana, apesar dos números terem caído nos últimos anos, graças ao bom trabalho da Brigada de Incêndio", observou. Ele pede à população que não faça fogo na região, pois o local é escasso de água. "O período de verão é propício para que as chamas se alastrem rapidamente", alertou.

Animais – Um tamanduá agonizava entre o fogo quando foi encontrado pelos brigadistas. Ele foi atendido, os veterinários não identificaram ferimentos graves e ontem o animal foi recolocado na natureza. Marleno contou que outros bichos não tiveram a mesma sorte do tamanduá. "Animais sem habilidade para fugir morreram queimados, a exemplo de cobras, caranguejeiras, aves do tipo juriti, nambus". Marleno disse que será necessário no mínimo 5 anos para a vegetação se recompor completamente.

Protegido pelo Ibama, o Parque Nacional da Serra de Itabaiana possui uma área de 7.966 hectares coberta por ecossistemas de mata atlântica, caatinga, restinga e campo rupestre. Os principais atrativos do parque são: Poço das Moças, Mata do Encantado, Parque dos Falcões, Cachoeira Véu de Noiva, Trilha da Via Sacra, Trilha do Caldeirão, Trilha do Riacho dos Negros e Topo da Serra de Itabaiana com 690 metros de altitude.

Em janeiro deste ano, aconteceu um incêndio de grandes proporções que destruiu cerca de 80 hectares de vegetação da Serra de Itabaiana. Em maio, outro ponto da região serrana de Sergipe foi atingido por um incêndio. A Serra da Miaba pegou fogo e o incêndio foi apagado em mais de dois dias de trabalho. O incêndio, à época, foi considerado criminoso.

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