A Secretaria Estadual de Saúde confirma que houve um aumento no número de vítimas de queimaduras causadas por fogos de artifício, fogueiras e líquidos inflamáveis. Apenas no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), foram 82 feridos internados, incluindo 47 adultos, nove adolescentes e 25 crianças. Os dados vão do início do mês até a manhã de ontem. Já na véspera de São Pedro, seis pacientes deram entrada na UTQ.
O caso mais grave foi o de João Rodrigues dos Anjos Júnior, 36 anos, que morreu no final da tarde desta terça-feira, após passar quatro dias internado na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ). Segundo o Huse, ele tentou acender uma fogueira usando uma garrafa de thinner, um solvente para tintas e considerado altamente inflamável, que explodiu na mão do paciente e provocou queimaduras de 2º e 3º grau em quase 60% do corpo. O acidente aconteceu na madrugada da última sexta-feira em Riachuelo (Vale do Cotinguiba), durante uma festa junina familiar. O quadro de João se agravou ao longo dos últimos dias e o paciente chegou respirar por aparelhos.
Outros 24 pacientes permaneciam internados até o fechamento desta edição, em estado considerados mais grave. O total de atendimentos aumentou cerca de 28% em relação ao mesmo período do ano passado, quando os fogos de artifício deixaram 63 feridos. Parte dos pacientes foi transferida de hospitais do interior, que também se estruturam para atender aos feridos por fogos. Em Estância (Sul), onde persiste a tradição das ‘guerras de busca-pés’ e da corrida dos barcos de fogo, o Hospital Regional Jessé Fontes atendeu 94 feridos entre 1º de junho até a manhã de ontem. Sete pacientes foram transferidos para o Huse.
Parte dos acidentes tem sido provocada pelo uso de líquidos combustíveis ou inflamáveis pra o acendimento de fogueiras, como álcool e gasolina. Já a maioria envolve o uso incorreto de rojões, bombas, busca-pés e ‘espadas’. Entre as consequências mais graves, está a amputação de membros e a perda de tecidos do corpo. O balanço destas amputações ainda será contabilizado. O aumento nos casos de feridos por fogos já causa preocupação para as autoridades de saúde, que pretendem aumentar as campanhas de prevenção e orientação quanto ao uso moderado e correto dos fogos.


