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FOME NO BRASIL


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Publicado em 25 de fevereiro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


Manoel Moacir Costa Macêdo &Pedro Abel Vieira

As contradições são próprias da sociedade capitalista. Diferenças no status quo são evidências entre os que “muito têm e os que nada possuem”. Desigualdade social e acumulação estão nas pirâmides de distribuição de riqueza. PIB – Produto Interno Bruto, IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, fome, analfabetismo e competitividade, entre outros indicadores diferenciam o desenvolvimento do crescimento das nações. Esses condicionantes não são recentes e têm sido tratados em diversos fóruns, independente da coloração de seus promotores. O recente Fórum Econômico Mundial, em Davos na Suíça, encontro dos ricos e desenvolvidos da globalização, teve como lema: “Cooperação em um Mundo Fragmentado”. Mudança climática, resseção econômica e inflação dominaram a agenda. As consequências previstas atingirão a todos, ainda que de forma desigual.
No Brasil não é diferente. A projeção para o PIB para 2023 foi reduzida de 0,78% para 0,77% e a expectativa para o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2023 subiu de 5,36% para 5,39%. Previsões de baixo crescimento e inflação alta. Cenário perverso para os brasileiros e brasileiras pobres viventes numa das nações mais desiguais do planeta. O país do futuro e do Carnaval concentra uma abismal distância entre os situados no topo e na base da pirâmide da distribuição de riqueza. Ainda que em queda, o Brasil acomoda-se entre as treze nações mais ricas do mundo pelo viés de seu PIB. Não é um país pobre, mas desigual.
As projeções econômicas e sociais não são animadoras, mas perversas para um país com mais de trinta milhões de pessoas com fome e cem milhões em insegurança alimentar. A fome no Brasil, não resulta da carência da oferta de alimento, ao contrário, vencemos a linearidade da Lei de Malthus e o seu determinismo. Produzimos comida suficiente e abundante para matar a fome dos brasileiros e brasileiras. A cada ano, batemos os nossos próprios recordes da safra agrícola. Nesse ano, a previsão é ultrapassar trezentos milhões de toneladas de grãos, com predominância em soja e milho. Contradição de difícil justificativa: exportamos alimentos para mais de uma centena de países e não matamos a fome dos nacionais. Tem fome, quem não pode comprar comida. Tem fome quem é pobre. Quem tem fome, não tem o esperançar. Soluções existem e tiveram sucesso. A redução da fome requer um enfoque objetivo, articulado, direto e urgente entre os setores públicos e privados, em duas vertentes: o combate emergencial com políticas compensatórias, algumas em curso, e o investimento sustentável com ênfase na geração de emprego e renda sustentáveis.
A fome no Brasil está concentrada nas regiões Norte e Nordeste. Entre os brasileiros passando fome, existem famílias de agricultores vivendo e trabalhando em mais de três mil propriedades rurais à margem da produção e da renda. Estudos recentes mostram que a exclusão na agricultura brasileira decorre de vários fatores, notadamente da dimensão tecnológica, visto que mais de 90% dos estabelecimentos rurais pobres respondem por menos de 15% da produção agrícola, sendo 75% de produtores familiares concentrados no Nordeste.
Para a inclusão dos agricultores familiares pobres no contexto histórico do iluminismo, são necessárias as imediatas políticas públicas em várias dimensões; aos médios e remediados produtores rurais uma mitigação entre incentivos econômicos e atenção social, e aos demais, as leis do mercado.

Manoel Moacir Costa Macêdo e Pedro Abel Vieira são engenheiros agrônomos.

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