Gabriel Damásio
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Foi preso ontem de manhã o quarto acusado de participação no assassinato do vigilante Vagner dos Santos Chagas, 25, morto anteontem durante uma tentativa de assalto a um Ponto Banese em Salgado (Centro-Sul). Adriano Bento da Silva, 28 anos, que estava foragido da Penitenciária Estadual de Areia Branca (Peab), foi encontrado por agentes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e soldados do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam). O acusado estava na casa de uma irmã no bairro 17 de Março (zona sul de Aracaju)
Adriano aparece em imagens do circuito interno de TV do banco, as quais registram o instante em que ele troca tiros com o vigilante. O preso atinge a vítima e quebra a porta de vidro, mas é baleado no braço por Vagner e foge. Já o comparsa dele, Marcos Michel Santos Ferreira, 18, preso uma hora depois do crime no povoado Sapé, em Itaporanga d’Ajuda (Região Sul), foi o responsável pelos tiros que acertaram a cabeça do vigia, matando-o na hora. Michel, Adriano e um adolescente de 17 anos, além de Cinthia Santos Souza, 26, fugiram juntos, mas foram alcançados por policiais em Itaporanga. No entanto, mesmo ferido, o foragido conseguiu escapar do cerco, escondendo-se em um matagal.
Segundo o delegado Everton dos Santos, diretor do Cope, a busca por Adriano foi uma questão de tempo. "Sabíamos que ele estava baleado, porque nós localizamos, junto com o pessoal do GTA (Grupamento Tático-Aéreo), as camisas que ele retirou e descartou durante a fuga. Ele perdeu muito sangue e a gente sabia que, cedo ou tarde, ele iria procurar um hospital ou posto de saúde. Quando foi à noite, recolhemos as equipes até a sede do Cope, mas a Divisão de Inteligência Policial [Dipol] continuou fazendo levantamentos sobre possíveis locais onde o Adriano se esconderia", explicou Everton.
A pista decisiva veio por volta das 2h30, o Dipol achou a casa da irmã do presidiário, no 17 de Março e descobriu que ele tinha acabado de chegar no local. "Nós deixamos clarear o dia, quando uma equipe da inteligência do Getam foi até o local para levantar a casa, e fizemos um cerco para prendê-lo às 8h30. Ele não reagiu e ainda estava com o braço enfaixado", conta o delegado. Mais tarde, Adriano disse aos policiais que, ao fugir do cerco em Itaporanga, esperou a saída da polícia e conseguiu pegar um táxi-lotação até Aracaju, onde correu para a casa da irmã.
Ele também tentou justificar o crime de Salgado, dizendo que só atirou no vigilante "porque ele reagiu e não precisava fazer isso". A resposta indignou o diretor do Cope. "O vigilante está ali para garantir a vida e a segurança de quem trabalha, dos clientes e dele mesmo. Ele não tem obrigação nenhuma de atender a anúncio de assalto de bandido", disse Everton, destacando que Vagner "levou a pior" porque escorregou nos estilhaços do vidro da porta do Banese e, ao cair, ficou em desvantagem. Adriano responde a processos judiciais por homicídio e tinha saído do presídio de Areia Branca em abril deste ano, pois recebeu o benefício da saída temporária da Páscoa.
Outros suspeitos – Também na manhã de ontem, o Cope confirmou que outros dois suspeitos participaram dos mais de 10 assaltos à mão armada cometidos por Michel, Adriano, Cinthia e o adolescente, geralmente contra Pontos Banese, lotéricas e lojas do comércio na capital e no interior. Um deles é Iendes Souza Trindade, 20 anos, irmão do adolescente detido, que também estava nos assaltos dos Pontos Banese de Salgado e do Conjunto Augusto Franco (zona sul da capital). "Ele estava preso e foi solto há pelo menos duas semanas, no dia 5 de novembro", alerta Everton. O segundo suspeito, identificado como Fernando, foi morto em um recente tiroteio com policiais na cidade de Porto da Folha. O grupo será processado por crimes de roubo, latrocínio, porte ilegal de arma e formação de quadrilha.


