Domingo, 23 De Junho De 2024
       
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Forró de verdade


Publicado em 25 de maio de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Sua majestade, o sanfoneiro (Divulgação)

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
 
Indisposto com o forró de plástico – o produto esvaziado pela máquina de moer poesia a serviço da indústria cultural, agraciado com os holofotes compassivos do calendário cultural sergipano- sou questionado sobre a verdadeira natureza do bicho. Respondo com apenas duas palavras: Cobra Verde.
Gravado em Aracaju, lançado na França e distribuído na Europa, ‘Forró do baú’ (2009) continua entre os argumentos mais convincentes já paridos na aldeia em favor da tradição. Lá se vai mais de uma década. Depois de ganhar nome e fazer carreira acompanhando grandes vultos do cancioneiro nordestino, Cobra Verde aproveitou a oportunidade de, afinal, se afirmar criativamente. Deu no que deu. O desassombro de um músico pleno do próprio instrumento.
Embora ‘Forró do baú’ conte com a participação especial de figuras lendárias, a exemplo da saudosa Clemilda e de um sempre inspirado Adelmário Coelho, é nas faixas instrumentais do registro que o forró ganha status de arte. Tanto nas composições assinadas pelo próprio Cobra Verde quanto nas diversas homenagens rendidas aos maiores do gênero, o tema não passa de mero pretexto. Importa puxar o fole. A sanfona reina soberana.
Forró de verdade, aqui e agora, por obra e graça de nossa própria gente. Se composta exclusivamente por forrozeiros autênticos, a programação do Arraial Serigy daria um banho nos grandes eventos que acabaram com a festa dos santos de junho, bem antes da pandemia, nação nordestina afora. Sem precisar apelar para o sertanejo mauricinho, nem fazer concessões às imposições do mercado (ai, Forró Caju!). Sanfona, triângulo e zabumba, o maior power trio do mundo. 
O sanfoneiro – Cobra Verde é o nome artístico que Soenildo Santos Mendonça herdou do pai, também músico. Morador do município sergipano de São Domingos, o sanfoneiro começou a tocar aos 14 anos na banda Cabeça de Frade, passando por nomes consagrados como Adelmário Coelho, Calcinha Preta, Gatinha Manhosa e Fogo na Saia.
Com um trabalho focado no forró instrumental, Cobra Verde é considerado um dos melhores sanfoneiros de sua geração. Ele interpreta grandes compositores como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Gennaro e Jacinto Silva, de uma forma muito criativa e própria.
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