Fuga de 21 tem cinco mortes

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Cinco detentos morreram e 12 foram recapturados após uma fuga em massa ocorrida por volta da 15h de ontem no Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória (Sertão). O incidente aconteceu nos fundos do presídio, quando os presos que estavam no pátio escalaram as muralhas e saltaram, usando cordas artesanais de roupas e lençóis, conhecidas como ‘teresas’. Depois de pular, os detentos passaram ainda por uma cerca, próxima à sede da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), e dali se espalharam por vários locais do centro de Glória, dos povoados e de cidades vizinhas, como Feira Nova. No começo da noite, a direção do Preslen confirmou que, ao todo, 21 presos se envolveram no incidente.
A fuga provocou ainda um princípio de rebelião, que foi controlado rapidamente por agentes do próprio Preslen e do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope). Ao mesmo tempo, dezenas de policiais civis e militares se mobilizaram em uma grande operação de busca, que se arrastou até a noite e foi liderada pela Companhia Especializada de Operações em Área de Caatinga (Ceopac). Um helicóptero do Grupamento Tático-Aéreo (GTA) sobrevoou a região e orientou as equipes de terra. Até às 21h de ontem, quatro detentos permaneciam foragidos.
Após o início das buscas, os primeiros fugitivos começaram a ser encontrados. Um deles foi encontrado morto com marcas de tiros em uma baixada no bairro Brasília e foi recolhido ao Instituto Médico-Legal (IML). Outros quatro teriam entrado em confronto com soldados do Ceopac, foram baleados e morreram ao dar entrada no Hospital Regional João Alves Filho, ao lado do Preslen. Os detalhes das mortes dos presos não tinham sido confirmados pela polícia até a noite de ontem. Já as primeiras prisões aconteceram em uma fazenda, onde um caseiro de 50 anos foi mantido como refém por dois foragidos, os quais se renderam após um cerco da PM. A vítima também foi socorrida ao hospital, mas teve apenas ferimentos leves.
No fim da tarde, o secretário Antônio Hora Filho admitiu, em entrevista à rádio Ilha FM, que apenas uma das oito guaritas de observação do Preslen estavam ativadas, com a presença de agentes do Gope. No entanto, ele explicou que existem os chamados "pontos cegos" do entorno do presídio, isto é, áreas que não são alcançadas pela visão de quem ocupa as guaritas. Hora disse também que, mesmo com essas condições, os agentes penitenciários que estavam de plantão "agiram de forma heroica", impedindo que a fuga fosse ainda maior e unindo-se aos policiais na recaptura dos foragidos.
A Sejuc deverá abrir uma sindicância para apurar as circunstâncias da fuga de ontem. Já os agentes penitenciários voltaram a protestar contra o baixo efetivo de agentes e a falta de condições de trabalho nos presídios do interior. A última fuga em massa no presídio de Glória foi em 21 de agosto de 2015, quando 20 presos alojados na chamada "Horta" renderam dois agentes e trocaram tiros com outros servidores que estavam de plantão. No confronto, os rebeldes mataram o agente Antônio Nascimento Nogueira, o ‘Da Lua’, 49 anos, irmão do prefeito local Francisco Nogueira, o ‘Chico do Correio’. Quase todos os presos foram recapturados.

Compartilhe esta notícia