Milton Alves Júnior
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Funcionários da empresa Torre voltam a paralisar a coleta de lixo doméstico nesta quarta-feira em Aracaju por falta de repasse do vale transporte e cesta básica do mês de outubro. Conforme fora denunciado pela direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp), a difícil situação enfrentada pela categoria vem se arrastando desde o início deste ano, quando o setor empresarial deu início a sucessivas cobranças financeiras junto à Prefeitura de Aracaju. Diante da garantia de suspensão dos serviços pela quinta vez só nos últimos dez meses, a direção sindical entrou em contato com gestores da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), órgão responsável pela contratação da Torre, para comunicar a paralisação de 12h.
Conforme esclarecido por Rayvanderson Fernandes, presidente do Sindlimp, se os direitos da classe trabalhadora não forem repassados até a noite de hoje, nada impede que a paralisação seja transformada em greve geral e por tempo indeterminado. O presidente disse ao Jornal do Dia não entender o motivo de a prefeitura, em mais uma ocasião, não respeitar centenas de profissionais que estão sem receber vale transporte e cesta básica. Para ele, paralelo às manifestações públicas realizadas pelos profissionais, é necessário que o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE), e o Ministério Público do Trabalho (MPT/SE), tenham conhecimento da reincidência dos fatos.
"Com o atraso no pagamento dos benefícios, está sendo retirado o direito de ir e vir do funcionário. Mais uma vez a empresa diz não repassar esses benefícios porque não registrou o depósito da prefeitura. Como estamos saturados de toda essa novela, onde apenas o trabalhador é quem sofre a cada final de mês, o jeito foi cruzar os braços por um período de 12h. Caso nada se resolva, a paralisação se transformará em greve", destacou o presidente. Ciente do problema, a diretoria da Torre compartilhou com as declarações do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e confirmou que até à tarde de ontem não foram pagos os benefícios e isso se deve ao fato do não cumprimento do pagamento da nota do mês de outubro por parte da Emsurb.
Esse montante financeiro em questão soma um valor em torno de 5 milhões de reais. É preciso lembrar que há menos de quatro meses um acordo foi firmado e homologado no TCE, destacando o parcelamento da dívida da Emsurb de 25 milhões de reais em 15 vezes. A decisão foi cumprida em setembro, mas em outubro a nota do mês não foi cumprida, comprometendo o pagamento da folha da Torre. A assessoria de comunicação da Emsurb informou que o presidente do órgão entrou em contato com a Empresa para verificar o valor dos salários e dos benefícios atrasados.
Rayvanderson Fernandes enalteceu a importância da quitação dos débitos para que o serviço de coleta não volte a gerar maior desconforto para os milhares de sergipanos que transitam todos os dias pela capital. O presidente sindical questionou ainda o porquê do não cumprimento da decisão judicial. "Não queremos descartar nenhuma possibilidade, mas a Prefeitura de Aracaju diz enfrentar uma crise nos cofres públicos e mesmo assim esse mês conseguiu pagar os servidores em dia, algo que não acontecia há meses, porém, por outro lado, deixou de pagar a Torre e isso pode ter acarretado na pendência do lado de cá. Vamos realizar essa paralisação e se nada for resolvido, vamos parar tudo e sem prazo para retorno", pontuou.


