Garis e margaridas da empresa Torre, em Aracaju, estão em estado de greve até a próxima segunda-feira, 11. A ação ocorre diante do recorrente problema do não pagamento dos tickets alimentação, vale transporte e do salário referente ao mês de dezembro que venceu na noite de ontem. Indginados com a situação, mais de 150 profissionais da limpeza urbana cruzaram os braços na manhã de ontem como forma de pressionar a empresa Torre que, por sua vez, repassou o problema para a Prefeitura de Aracaju. A Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável pela contratação da Torre, diz que não há pendências.
Em meio à falta de coesão das informações institucionais, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Urbana de Sergipe (Sindelimp) deixou claro que, assim como ocorreu em 2015, este ano não irá aturar a falta de comprometimento junto aos servidores que ajudam a deixar a cidade limpa. Na tarde de ontem durante entrevista concedida ao Jornal do Dia, Rayvanderson Fernandes, presidente do sindicato, garantiu que o tempo limite para quitação das pendências será segunda-feira, caso o trabalhador não contabilize o que é de direto, é possível que a coleta de lixo volte a ser suspensa por tempo indeterminado na capital sergipana, onde, por dia, são recolhidas mais de 500 toneladas de descarte de lixo domiciliar e comercial.
"Estamos tratando de uma categoria que rala o dia inteiro para deixar a cidade limpa e quando chega no final do mês é a primeira a não receber o que é de direto. Muitos aracajuanos não sabem, mas os garis e margaridas estão pagando pra ir trabalhar porque nem o vale transporte está sendo pago seja pela Torre ou pela Prefeitura de Aracaju. Não nos importa quem está errado, apenas não vamos mais tolerar essa falta de respeito com a nossa categoria", declarou o sindicalista. Por problemas semelhantes, no ano passado o Sindilimp promoveu sete greves que ocasionaram em contratempos em todos os bairros da capital. A meta é permanecer pressionando a fim de garantir os direitos do trabalhador.
Ciente das dificuldades a serem enfrentadas, Rayvanderson destacou que os mais de mil funcionários estão dispostos a promover a maior paralisação que a classe trabalhadora já realizou em Sergipe. Essa promessa de suspensão das atividades pode ser imposta já nos próximos 30 dias. Para isso, basta os tickets e salários não serem devidamente quitados. "Sempre fomos reconhecidos por todos pela vontade de dialogar e buscar a melhor solução para os impasses, mas percebemos que há três anos essas negociações estão cada vez piores, parece que não rendem avanços. O limite de credibilidade já chegou ao nível máximo e sem ticket alimentação, vale transporte e os nossos salários na há outra saída que não seja a greve", anunciou o presidente.
Na tentativa de minimizar os impasses e conquistar o que é de direito, os trabalhadores deste seguimento operacional pretendem acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério Público Estadual (MPE) e o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE), para que possam investigar os reais motivos que resultam na irregularidade denunciada. O Sindelimp pretende também provocar a direção da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE). "Minhas contas estão atrasadas e sequer posso mais pegar fiado no armazém da esquina. Estou sem meu salário desde o início de dezembro, quando pagaram novembro também com atraso. O pior desta vez é que não têm nem previsão de quando vai sair. Se não pagar o que devem, vou para a assembleia só para votar pela paralisação de terça em diante", avisou o gari José Anderson de Menezes Santos.
A Torre e a Prefeitura de Aracaju não se manifestaram oficialmente quanto às críticas apresentadas pela categoria, tampouco sobre a probabilidade de nova mobilização grevista.


