Garota é esfaqueada em escola no Bairro América

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Uma adolescente de 15 anos foi esfaqueada na manhã de ontem dentro da Escola Municipal Santa Rita, Bairro América, em Aracaju. O fato ocorreu por volta das 10h quando a estudante aguardava receber um lanche na entrada da instituição de ensino e foi abordada por outra jovem que, segundo testemunhas, teria uma desavença em virtude de uma relação extraconjugal com o marido da agressora. Devido à precariedade da segurança escolar, a jovem teria invadido a escola, sacado uma faca tipo peixeira e deferido dois golpes nas costas da aluna. Sangrando muito, a vítima foi encaminhada às pressas ao Hospital Regional Nestor Piva onde foram aplicados seis pontos e no início da tarde liberada.
O que chama a atenção dos diretores e coordenadores pedagógicos é que a própria aluna já teria oficializado as ameaças junto à direção da escola, mas que não havia notificado o caso à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), conforme indicado pelos professores que atenderam a estudante. Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o professor e coordenador Carlos Costa dos Santos informou que há pouco mais de uma semana havia se reunido com os responsáveis pela adolescente e solicitado que um Boletim de Ocorrência (B.O.) fosse criado. Apesar das recomendações, a atitude não foi adotada e essa procedência de imunização teria contribuído para que as ameaças se tornassem em realidade.
"A gente já tinha conversado, mas não seguiram nossos conselhos. Mais cedo ou mais tarde essa tentativa de homicídio infelizmente poderia ocorrer, e só não ocorreu aqui dentro da escola porque muitos alunos se aproximaram e a acusada desconhecida, ao menos por mim, acabou fugindo", disse. Matriculada na instituição desde o ano de 2004, a adolescente trata-se de uma aluna irregular e que acumula em seu histórico estudantil uma vasta e surpreendente quantidade de faltas. Ainda cursando a quarta série do ensino fundamental, Carlos Costa avaliou a vítima como "uma aluna de difícil aprendizado e recordista de faltas". Esse não seria o motivo para o ataque de ontem, mas pode ter contribuído.
A fim de estudar o caso, logo após a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ter encaminhado a aluna até o Nestor Piva, conversas em particular foram realizadas junto a colegas de classe e amigas da vítima. Entre esses diálogos os professores souberam que parte das denúncias envolvendo adultério era verídica. "Desde a conversa que tivemos com ela torcíamos para que os impasses fossem cessados e não acabasse dessa forma, mas não foi isso que aconteceu. Cabe agora a família buscar soluções imediatas para evitar que outras tentativas de homicídio sejam protagonizadas", pontuou Carlos. Até o final da tarde de ontem a família da vítima não havia solicitado uma possível transferência de escola.

Investigação – Um departamento especializado da Polícia Civil foi acionado e investiga o nome e logradouro da acusada que não teve o nome revelado. A perspectiva é que membros da direção da Escola Municipal Santa Rita sejam intimados a prestar depoimentos. Temendo possíveis represálias os estudantes e professores da escola preferiram não se manifestar.

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