Milton Alves Júnior
Impactado pelo fenômeno climático El Niño, o baixo nível de água na barragem do Poxim pode provocar rodízio no abastecimento de residências, estabelecimentos comerciais e órgãos públicos. De acordo com o Governo de Sergipe, um plano de contingência está sendo discutido após profissionais do Comitê Estadual de Gestão de Eventos Climáticos Extremos (Cegec), reforçarem que o El Niño pode causar redução de chuvas, estiagem, escassez de água, prejuízos à agropecuária, aumento do risco de incêndios florestais e impactos na saúde da população sergipana. A preocupação por parte da administração estadual tem sido revelada ao longo das últimas semanas.
Conforme destacado pelo JORNAL DO DIA nesta segunda quinzena de outubro, o governo de Sergipe publicou a Portaria 43/2026, oficializando situação de alerta na Barragem Sindicalista Jaime Umbelino de Souza, localizada em São Cristóvão, na Região Metropolitana de Aracaju. Em comunicado oficial emitido no final da manhã de ontem, o governo destacou que a preocupação maior está direcionada para os municípios que compõem a Grande Aracaju, pois a barragem do Poxim está com o nível mais baixo. A perspectiva por parte do governador Fábio Mitidieri é que no decorrer da próxima semana uma entrevista coletiva seja concedida com o objetivo de apresentar qual plano de contingenciamento do El Niño será aplicado.
“O El Niño tem feito um estrago, como já era previsto e vem sendo noticiado pela imprensa. Estamos fazendo questão de mostrar à população o que está acontecendo. Os níveis das nossas barragens estão baixando muito. A gente pode, e provavelmente vai, chegar a ter que tomar medidas mais drásticas aqui, como rodízio ou coisa desse tipo, para evitar que tenhamos uma crise ainda maior”, disse. Pela Organização Meteorológica Mundial foi destacado que o Super El Niño de 2026 está próximo de alcançar sua intensidade máxima e poderá entrar para a história como o mais forte dos últimos 150 anos. As novas previsões meteorológicas indicam que o fenômeno continuará ganhando força nas com potencial para superar recordes de aquecimento do Oceano Pacífico.
O período de maior intensidade deverá ocorrer entre novembro e dezembro de 2026. Os principais centros de monitoramento climático identificaram condições excepcionais no oceano, incluindo temperaturas muito acima da média e uma grande quantidade de calor acumulada abaixo da superfície. Além disso, os modelos internacionais apresentam um elevado nível de concordância sobre a força do fenômeno. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta um aquecimento médio de aproximadamente 3,7°C acima do normal na região Niño 3.4 durante o trimestre de outubro a dezembro, com pico previsto para dezembro.

