Para que a democracia não morra

* Luciano Correia
A vitória de Lula foi festa e alívio. Apesar de ser a quarta, foi comemorada como nunca antes, aqui e em vários cantos do mundo.
Lula mais uma vez salvou a democracia brasileira e nos livrou do abismo iminente com a vitória do consórcio crime organizado-pastores evangélicos-milicianos bolsonaristas. De quebra, o mundo também respirou aliviado e viu um polo de resistência contra o fascismo se erguer na América Latina, hoje transformada em latrina dos Estados Unidos por gente entreguista como os eleitores que foram às ruas com bandeiras norte-americanas na avenida Paulista.
Esse é o mundo disléxico e explosivamente perigoso, desde que um canalha cevado pela CIA chamado Mikhail Gorbatchov decidiu arriar as armas e promover o desmonte de toda a União Soviética e o mundo bipolar que sustentava as conquistas trabalhistas no mundo inteiro. Depois desse senhor, o mundo socialista foi desmantelado, levando nas ruínas do Muro de Berlim as esperanças de alternativa ao império americano e seus vassalos na Europa.
 A fuga de um sujeito que 24 horas antes era forte candidato a presidente de uma das mais importantes repúblicas do planeta mostra que, como dizia o maestro Tom Jobim, o Brasil não é um país para amadores. Aqui vivemos atualmente dentro de uma turbinada série de ação, com emoções a cada minuto e a realidade dando cavalo de pau nas trilhas do inacreditável. Felizmente, Flávio Bolsonaro se despede do nosso distinto público com aquela carta tresloucada, se despedindo do país e sendo despedido pelos seus aliados, unânimes em condenar sua fuga covarde.
A rigor, toda a direita, da extrema à mais civilizada, gostou da patacoada. Burro, como sempre, Flávio entregou de bandeja o presente que seu PL queria. Encerra aqui a saga da gangue dos Bolsonaro e recoloca na cena lideranças que torciam ardorosamente pelo fracasso do senador Rachadinha. Ou alguém acha que Tarcísio de Freitas ou Michele Bolsonaro queriam a vitória de Flávio, com risco dele, com golpe e corrupção, não largar o osso tão cedo? Talvez certo desse prognóstico, o ex-quase presidente fugiu para onde já estão alguns comparsas para gastar a grana roubada. E é dinheiro suficiente para sustentar várias gerações.
Rei morto, rei posto. No PL, o príncipe Valdemar da Costa Neto, puta velha de longos carnavais, já deu o morto por sepultado, inclusive reconhecendo a vitória de Lula. Que ninguém pense que essa ternura sinaliza calmaria. Essa direita arteira vai mexer os búzios de suas bruxarias para criar todo tipo de obstáculo para Lula governar, inclusive acenando com impeachment. Contra esse veneno, pois, só há um antídoto: o exército do general Janones nas ruas. Fácil como uma simples equação matemática: se desmobilizar a ocupação das praças e suspender a guerrilha digital, Lula não governa mais do que dois anos. Se mantiver o estado de guarda permanente, teremos um fato inédito na história brasileira: o povo, finalmente, no poder.
* Luciano Correia, jornalista, é professor da UFS
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