Greve começa a afetar postos de saúde

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

A greve dos médicos da rede municipal de Aracaju completa oito dias hoje e já começa a ser sentida por usuários de postos de saúde que buscam atendimento.

Com uma negociação longe de acontecer, o atendimento já começa a ficar comprometido em quase toda a rede. O movimento grevista iniciado na última sexta-feira, 26, suspendeu serviços ambulatoriais, do centro de especialidade e das unidades de saúde da família, afetando diretamente cerca de 3.000 pacientes atendidos diariamente em postos de saúde.

A Unidade de Saúde da Família Celso Daniel, localizada no bairro Santa Maria, é uma das mais afetadas com a suspensão dos serviços médicos. Todos os dias, os usuários ficam na frente da unidade de saúde à espera de atendimento e voltam para casa sem saber quando serão consultados pelos médicos do posto de saúde.
"Aqui a situação piorou. Já não tinha médico e agora com a greve a gente não sabe quando vai ter consulta outra vez", reclama Maria José Soares.
Muito gripada, ela procurou novamente o posto de saúde ontem na tentativa de conseguir uma consulta, mas desta vez ao invés de voltar para casa, decidiu buscar uma unidade de pronto-atendimento. "O jeito é tentar a urgência", disse.

De acordo com usuários da unidade de saúde Celso Daniel, o local está com demanda muito acima de sua capacidade, devido aos problemas enfrentados no posto Oswaldo Leite que, segundo os moradores, já apresentava falta de médico mesmo antes da greve.
"É um problema que vem acontecendo há certo tempo, e com a greve a população fica ainda mais sem assistência", reclama o aposentado José de Oliveira Santos. Ele precisa fazer exames com urgência e depende de autorização médica do posto para realizar os encaminhamentos necessários.

Adesão – De acordo com números apresentados pelo Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), a adesão à greve surpreendeu e está sendo considerada satisfatória. "Mais de 400 médicos num total de 500 já aderiram ao movimento. Cerca de 100 médicos da rede de urgência e emergência continuam trabalhando nas unidades de pronto-atendimento Nestor Piva e Fernando Franco, conforme combinado entre a categoria para não prejudicar a população, que já sofre com a precariedade de atendimento da rede. O movimento está fortalecido", informa João Augusto Alves Oliveira, presidente do Sindimed.

O sindicalista explicou que a paralisação foi o último recurso utilizado pela categoria para pressionar uma negociação com a prefeitura. "Os efeitos da greve já estão começando a ser percebidos pela população e esperamos sensibilidade do prefeito João Alves Filho para resolver o impasse criado pela administração municipal. A decisão está nas mãos da prefeitura", destaca.

A categoria reivindica o reajuste salarial, cuja data-base é em janeiro, mas até agora o prefeito de Aracaju não informou qual será o percentual de aumento para os médicos. Outro impasse é referente ao pagamento de 20% da gratificação por desempenho. "Sobre este último ponto propomos o pagamento em três parcelas a partir de janeiro de 2014, o que demonstra que a categoria não está intransigente, ao contrário da prefeitura que está negando possibilidades de acordo", critica.

Na sexta-feira, quando houve uma segunda assembleia da categoria, os médicos decidiram manter a greve por tempo indeterminado. O presidente do Sindimed ressalta ainda que a cada dia que os médicos deixam de atender, a prefeitura economiza já que não são solicitados exames e outros serviços. "Esperamos que a prefeitura não esteja gostando da greve e que se sensibilize com a categoria", enfatiza João Augusto, lembrando que um dos desfechos possíveis para o fim da greve é um acordo entre as partes. "Em caso de ação judicial em favor da prefeitura, entendemos que a greve irá continuar em outra oportunidade, mesmo cessando agora. Então torcemos para um acordo definitivo", adianta.
Uma nova assembleia para discutir o movimento de greve está marcada para acontecer dia 7 de maio, a partir das 8h na sede do Sindimed.

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