Greve da Polícia Civil afeta o registro de ocorrências em SE

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Começou na manhã de ontem a greve dos agentes e escrivães da Polícia Civil, que aderiram ao movimento de paralisação decretado na semana passada pelos delegados de polícia. Desde então, diversos serviços à população ficaram prejudicados, a exemplo das diligências policiais, registros de ocorrências, realização de audiências, emissão de documentos e visitas aos presos. Nas delegacias, faixas de protesto com informações sobre os motivos da greve foram expostas nas portas das unidades já durante a madrugada, mas os problemas já começaram durante o final de semana.

Um dos casos de destaque foi o de uma moradora do loteamento Piabeta, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), que foi teve a casa invadida por dois assaltantes armados e sofreu uma tentativa de estupro, mas não conseguiu fazer o registro da ocorrência na Plantonista, nem em outras três delegacias visitadas por ela neste final de semana. Também foram registrados nove assaltos a ônibus em toda a capital durante o final de semana, com "arrastões" praticados pelos marginais, mas muitos passageiros que procuraram as delegacias também reclamaram por não ter conseguido prestar queixa.  

A greve é um desdobramento da "Operação Parcelamento", deflagrada em protesto contra a decisão do governo estadual de parcelar o pagamento dos salários de parte dos servidores públicos. Eles prometem encerrar o movimento só após o pagamento da outra parte, o que está previsto para o dia 11. Hoje, às 8h, os policiais vão participar do protesto convocado pelo Movimento Intersindical dos servidores, em frente à Assembleia Legislativa, no Centro.

O movimento também teve a adesão dos servidores da Coordenadoria Geral de Perícias (Cogerp), órgão da Secretaria de Segurança Pública (SSP) que administra os institutos Médico Legal (IML), de Identificação, de Criminalística e de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF). De acordo com a assessoria da SSP, a única restrição encontrada pela greve no IML é a realização das perícias para obtenção do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Seguro DPVAT), que foi suspensa durante a paralisação.

Já na Polícia Civil, o 30% do efetivo está trabalhando durante a greve, tanto na capital quanto no interior do Estado. Algumas unidades policiais tiveram o seu funcionamento mantido e priorizado, como o Complexo de Operações Policiais Especiais (COPE), o Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) e o Departamento de Atendimento aos Grupos Vulneráveis (DAGV), além das seis Delegacias Regionais do interior e as Plantonistas Central e Norte, em Aracaju.

O atendimento priorizará os casos urgentes, tais como flagrantes, autos de apreensões e de resistência e cumprimento de operações previamente agendadas pela Superintendência da Polícia Civil. O delegado-geral do órgão, Everton Santos, esclarece que, diante da redução do quantitativo de servidores públicos poderá haver demora na prestação do serviço, mas que ele será realizado. Ele orienta aos cidadãos que caso sintam dificuldades no atendimento que procurem a Superintendência da Polícia Civil, situado à rua Duque de Caxias, S/N, bairro São José, para ser direcionado para uma delegacia específica.

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