Durante quatro dias sem se alimentar, militantes sociais ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores do Brasil (MPA) se mobilizaram nas dependências internas da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese). Contrários ao projeto de Reforma Previdenciária, os cinco grevistas suspenderam o ato na tarde de ontem, mas prometem permanecer mobilizamos como forma de reivindicar o apoio de parlamentares sergipanos – estaduais ou federais, para votarem ‘não’ à proposta apresentada pelo Governo Federal. O ato, iniciado na manhã da última segunda-feira, 11, recebeu o apoio da Arquidiocese de Sergipe, da Defensória Pública e dos deputados Ana Lúcia e João Daniel.
Paralelo à atuação em Sergipe, militantes do Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí e Goiás também estiveram em greve de fome na tentativa de multiplicar adeptos em todo o país. A perspectiva é que a partir de hoje o movimento nacional registre ampliação das ações contrárias à ideologia governista do presidente Michel Temer. Aproveitando a popularidade já em baixa de Temer, o grupo trabalha com a meta de desgastar ainda mais a administração federal que, na avaliação dos grevistas, retira nitidamente direitos constitucionais que foram adquiridos ao longo dos últimos 20 anos.
"Para conquistar nossos objetivos e retirar o país das mãos desses grupos de sanguessugas dos direitos trabalhistas e previdenciário, primeiramente será necessário reforçar o coro do ‘fora Temer’. Uma prova de que estamos no caminho certo é que em menos de uma semana de movimento já conquistamos o apoio de centrais sindicais, movimentos estudantis e comunidades religiosas. Precisamos do apoio de todos, em especial dos deputados e senadores", declarou Rafaela Alves, membro da direção estadual do MPA. Em todo o país durante a greve os camponeses apenas beberam água, tomaram soro e foram acompanhados por equipe médica. A idade destas pessoas varia entre 22 e 44 anos.
Se mostrando solidário ao grupo, o deputado federal João Daniel (PT), lamentou a situação emergencial dos trabalhadores brasileiros e pediu maior atenção por parte da bancada sergipana em Brasília. Para ele, é necessário que todos os representantes legais do povo no parlamento estejam autuando de acordo com os anseios dos brasileiros. "Todo esse movimento serviu para cobrar dos parlamentares federais uma postura contra essa proposta de reforma da previdência; o que chamamos de contrarreforma. Nesse momento é preciso muita mobilização e luta da classe trabalhadora e das centrais sindicais. Só assim haveremos de barrar essa reforma contra o povo brasileiro. Toda nossa solidariedade a esses lutadores e lutadoras", disse.
A greve de fome chegou ao fim após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), ter anunciado que a votação da PEC acontecerá no dia 19 de fevereiro de 2018. Até lá os movimentos seguem debatendo outras formas de barrar as mudanças previstas por Temer. (Milton Alves Júnior)


