Milton Alves Júnior
Garis e margaridas que prestam serviços para o grupo Estre/Cavo seguem com 70% dos serviços suspensos. Além da coleta de lixo, a limpeza de canais e feiras livres continua indisponível nas cidades de Aracaju, Laranjeiras, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro. Durante reunião conciliatória realizada no final da manhã de ontem e início de tarde, na sede da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), a proposta de 6% de reajuste salarial e retirada do Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), não foi aceita pela categoria e cerca de 800 trabalhadores continuam em greve.
Se mostrando irritada com a postura administrativa adotada pelo grupo empresarial, a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindelimp), volta a se reunir hoje com a categoria com a proposta de estudar uma possível greve unificada e por tempo indeterminado. Sem coleta desde a noite da última quarta-feira, 16, é possível que o velho problema de higiene urbana continue atingindo milhares de sergipanos pelos próximos dias. Para o presidente sindical Rayvanderson Fernandes, a retirada de direitos vai de contra com a luta histórica promovida pela classe trabalhadora. Para ele, é inaceitável aceitar a retirada do PLR.
"Chega ser difícil acreditar que são capazes de se reunir com os servidores e apresentar uma proposta de reajuste bem abaixo do que pleiteamos, e, ainda por cima, surgir com o desejo de retirar o Programa de Participação nos Lucros e Resultados. Esse direito é visto pela categoria como uma espécie de décimo quarto salário; aceitar essa proposta é retroceder demais e acho muito difícil, quase que impossível que os nobres trabalhadores da Cavo e da Estre aceitem", lamentou. Na lista de reivindicações os servidores ainda pedem a aquisição de fardas novas e demais Equipamentos de Proteção Individual (EPI); isso em caráter de emergência.
Torre – Também em reunião ficou definido que os trabalhadores da Torre retomam os serviços em sua totalidade em virtude de a categoria ter aceito a proposta de reajuste de 9% nos vencimentos dos funcionários, e 13,75% a mais no valor do ticket alimentação e cesta-básica. A Torre não se mostrou interessada em retirar o PRL. Ainda de acordo com o Rayvanderson, na próxima terça-feira, 22, os trabalhadores voltam a se reunir com a direção da Estre/Cavo, na sede da Superintendência Regional do Trabalho. A perspectiva é que o grupo apresente nova contraproposta que satisfaça a classe e não remova nenhum benefício já em execução.
"Com a Torre não conseguimos avançar com a nossa proposta de 12% de reajuste, mas a indicação de 9% no reajuste fez com que a categoria aceitasse. Caso a Cavo apresente uma proposta semelhante ao da Torre, já adianto que é possível que em assembleia os trabalhadores aceitem e suspendam a paralisação. Se isso não ocorrer a greve pode ser generalizada e por tempo indeterminado", pontuou Rayvanderson. A Empresa Cavo não se manifestou sobre o assunto; já a Torre, por meio de nota, declarou que: "buscamos, de modo célere, o entendimento com os trabalhadores, para que a população não fosse prejudicada com a suspensão dos serviços".
Em nota, a Emsurb informou que vai multar as empresas caso os serviços não sejam normalizados a partir de hoje.


