Milton Alves Júnior
Postos de Saúde com atendimento precário; pacientes peregrinando em busca de assistência; Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) superlotado; e mais de 370 mil consultas inviabilizadas. Esse tem sido o cenário do Serviço Único de Saúde (SUS) desde o dia 21 de janeiro deste ano, quando os médicos da Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), decidiram suspender as atividades e deflagrar greve por tempo indeterminado. Hoje, esse movimento que ainda conta com 180 médicos de braços cruzados, contabiliza exatos três meses e já é considerado o mais extenso promovido pela categoria na capital sergipana. O problema é que a situação continua, pelo menos, até a próxima segunda-feira, 24.
Apesar dos indícios de progresso no diálogo entre o prefeito Edvaldo Nogueira e o Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), os trabalhadores garantem permanência do movimento caso o salário referente a dezembro do ano passado continue disponível apenas de forma parcelada em 12 prestações, ou através de empréstimo bancário.
Os grevistas se apegam ao parágrafo 1º do artigo 459 da CLT, que dispõe que, quando o pagamento salarial houver sido estipulado por mês, deverá ser efetuado, o mais tardar, até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido. Na contramão do que determina a Constituição Federal, o atraso completa hoje exatos 105 dias. Diante desse, e de outros argumentos, o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE) negou a ação impetrada pela PMA que solicitava o decreto de ilegalidade da greve. Com o apoio da corte jurídica, o Sindimed se reúne em assembleia na segunda para debater uma proposta consensual que será apresentada aos filiados na segunda a partir das 8h.
A nova proposta foi apresentada na manhã de ontem durante a segunda rodada de negociação realizada nesta semana. Após o encontro ser promovido a portas fechadas, o prefeito Edvaldo Nogueira informou que os debates estão fluindo dentro do cronograma previsto e podem colaborar para o fim da greve. O Jornal do Dia buscou pronunciamento por parte do presidente sindical, João Augusto, mas ele não atendeu aos nossos contatos.
Por telefone a Assessoria de Comunicação do Sindimed informou que os sindicalistas optaram por não apresentar o conteúdo da nova proposta. A divulgação deve ocorrer apenas na próxima segunda durante a assembleia da categoria. "Nem todos os médicos que estiveram no Centro Administrativo Aloísio Campos puderam participar do diálogo.Pedimos a compreensão do JD e afirmar que o conteúdo será integralmente exposto na assembleia", declarou Mércia Oliva.
Resposta – No início da noite de ontem, através de mensagem telefônica, João Augusto informou que: "Finalmente chegamos a uma proposta consensual que vai ser levada para avaliação na segunda".


