Greve na saúde municipal lota hospitais administrados pelo Estado

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Unidades de saúde do Estado têm registrado nos últimos dez dias um aumento de até 400% na demanda de assistência médica. A multiplicação dos pacientes ocorre devido à greve deflagrada por médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e agentes de combate a endemias contratados pela Prefeitura de Aracaju.

No geral, dez categorias aderiram ao movimento unificado que exige da gestão municipal o pagamento salarial dentro dos meses vigentes, assim como vale-transporte, recebimento do 13º salário e o reajuste salarial de 4,42%. Com a migração simultânea dos pacientes é previsto que o sistema estadual comece em curto prazo a apresentar deficiência operacional. Ciente da situação, o assessor de comunicação da SES, Alberto Jorge, teme que a greve continue por tempo indeterminado e provoque um colapso em todo o sistema dirigido pelo Estado.

"Estamos com receio de esse aumento da demanda acabar prejudicando ainda mais as nossas atividades. Ouvimos falar que os médicos estão pra suspender a greve, independentemente disso, estamos torcendo para que os servidores entrem em acordo e suspendam o movimento, caso contrário poderemos entrar em colapso no atendimento", disse. Atualmente, apenas as unidades Fernando Franco e Nestor Piva seguem atendendo as demandas em caráter de urgência e emergência.

A decisão da greve ocorreu na tarde do dia 01 de setembro durante a Assembleia Geral Conjunta das categorias, na sede do Conselho Regional de Odontologia. Depois de tanta luta e longe de conquistar os 12% de reajuste – acumulados em perdas inflacionárias desde o ano de 2013 -, no dia 14 de julho os profissionais acabaram aceitando os 4,42% contrapropostos pelo prefeito João Alves Filho. O problema agravante é que, no final do mesmo mês de julho o reajuste não foi pago. A promessa era de pagar na folha de agosto. Já no final do mês passado os servidores foram comunicados que o reajuste também não está presente na folha e que este reajuste deve ser repassado juntamente com o retroativo por meio de folha suplementar – que segue sem data definida.

Deficiência – Ainda em entrevista concedida na tarde de ontem ao Jornal do Dia, o comunicador destacou que, paralelo ao aumento nos exames e consultas, o número de gastos com medicamentos e insumos tem registrado aumento. Caso a greve permaneça, Alberto Jorge não descarta a possibilidade de ausência nos depósitos. "Com essa greve, a demanda de atendimento tem aumentado e isso acarreta também no gasto maior com materiais hospitalares e os medicamentos. Nossas atividades continuam acontecendo, as escalas estão sendo respeitadas, mas uma hora a situação ficará insustentável", destacou.
Esta é a sexta vez em que os servidores da saúde deflagram greve no município. A mobilização é coordenada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), em parceria com líderes sindicais de cada categoria. A Prefeitura de Aracaju não se manifestou sobre a continuidade da greve, tampouco sobre a carga redobrada de assistência hospitalar realizada pelo Estado de Sergipe.

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