Greve não afetará vacina contra HPV

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Os técnicos e auxiliares de enfermagem da Saúde Municipal que estão em greve há três dias vão trabalhar neste sábado durante o dia "D" de mobilização nacional da segunda dose da vacina de HPV, iniciativa que visa imunizar adolescentes de 11 a 13 anos que receberam a primeira dose a partir de 10 de março deste ano.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Sergipe (Sintasa), Adailton dos Santos, mesmo em greve os profissionais vão atuar na campanha em decorrência de um compromisso prévio estabelecido com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). "Todos vão participar da mobilização nos postos de saúde como já havia sido acordado com a SMS. A partir de segunda-feira, porém, estaremos visitando as unidades de saúde mobilizando a categoria a aderir à greve, que neste momento é o único instrumento para fazer a prefeitura nos ouvir sobre as nossas reivindicações sobre o pagamento do reajuste de 6,5% no contracheque e também da incorporação de gratificações", disse.

Na última quinta-feira, 11, a categoria anunciou a greve por não terem atendidas as demandas apresentadas ao executivo municipal. Os servidores também mantêm uma agenda de mobilização, que começou no primeiro dia de greve com um ato público em frente ao prédio da SMS, na Rua Sergipe, no bairro Siqueira Campos.

A decisão em entrar em greve se deu no dia 05 de setembro, quando os servidores realizaram uma assembleia geral na porta da SMS. Segundo os servidores, a categoria não foi contemplada com o reajuste de 6,5%, apenas com a incorporação parcelada do vencimento-base.

Outra pauta é uma reunião para discutir o pagamento proporcional do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica (PMAQ). Adailton dos Santos lembra que a correção dos valores foi uma das medidas asseguradas pela direção da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog) até outubro.

"Sobre a proposta da prefeitura em substituir o reajuste por incorporação de gratificações, entendemos que representa uma perda para os profissionais. O que queremos é a revisão desse processo, com a oferta do reajuste e pagamento das gratificações que vão entrar na lista de proventos previdenciários", explica.
Ainda segundo o vice-presidente do Sintasa, se todas as questões propostas pela categoria não avançarem junto à mesa de negociação com a prefeitura, os servidores vão manter a greve e intensificar os atos públicos em torno das reivindicações.

Além de técnicos e auxiliares de enfermagem, também estão com os serviços paralisados os profissionais que realizam suporte de atendimento na área de saúde bucal.
O dirigente do Sintasa destaca que são 43 unidades de saúde da capital que dependem da execução desses serviços para prestarem atendimento à população. Ele enfatiza que diferentemente de profissionais de higienização, recepção e vigilância que prestam serviços terceirizados à rede, os técnicos e auxiliares de saúde em greve são estatutários, não podendo ser substituídos por prestadores de serviços. "Isso significa que atendimentos como os domiciliares e outros serviços hospitalares podem ficar comprometidos caso a greve continue", alerta.

Na próxima segunda-feira, a categoria realiza nova manifestação na porta da Prefeitura de Aracaju a partir das 6h. De acordo com a direção do Sintasa, apesar do anúncio de algumas medidas na Saúde pela Prefeitura, o secretário de Saúde, Luciano Paz, ainda não cumpriu com a promessa feita ao sindicato de que resolveria as reclamações da categoria relatadas na última reunião.
Os servidores chegaram a dar a prefeitura um prazo até o dia 4 para resolver as pendências, caso contrário o Sintasa e os servidores da Saúde do Município da capital decretarão greve por tempo indeterminado. Os outros pontos reivindicados são reavaliação dos interníveis e da insalubridade, junto a Secretaria de Planejamento, avaliação da segurança nas unidades de Saúde.

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