Kátia Azevedo
Sergipe enfrenta a partir desta semana uma onda de greve envolvendo mais duas categorias de trabalhadores de serviços públicos. Depois do funcionalismo da administração direta do estado, professores e técnicos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) paralisam as atividades por tempo indeterminado nesta segunda-feira, 03.
Juntas, as três categorias representam grande contingente da massa de trabalhadores que operam os serviços públicos no estado. Os servidores da administração direta, executores de serviços básicos, estão em greve desde o dia 13 de maio e ainda sem previsão de retorno às atividades. Merendeiras, vigilantes e oficiais administrativos já fazem falta em escolas e repartições públicas. Desde o inicio da greve, muitas escolas decidiram inicialmente suspender as aulas por falta de mão-de-obra que executasse os serviços, a exemplo de limpeza dos espaços.
Na capital e no interior, a chamada Onda Amarela do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Sergipe (Sintrase), vem mobilizando unidades de ensino e visitando órgãos públicos para convocar a categoria para manifestações semanais. A agenda continua nos próximos dias. "Só vamos suspender a greve depois de sermos ouvidos pelo governo", avisa Diego Araújo, secretário geral do Sintrase.
Na semana que passou, cerca de 100 servidores públicos estaduais ocuparam a sede da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) buscando mais uma vez fazer com que a direção do órgão agendasse uma reunião com a categoria. No mesmo dia, a categoria obteve informação da Seplag que seria enviado um ofício ao Sintrase informando uma data para que o secretário Jeferson Passos recebesse uma comissão de servidores para iniciar a negociação sobre a implantação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) da categoria, o que não aconteceu.
Atualmente, os servidores em greve compõem um quadro com milhares de trabalhadores que representam a grande força da massa operária da administração pública, realizando serviços essenciais como a segurança nas escolas, atividade de limpeza, alimentação e funções burocráticas da máquina administrativa.
Apesar de serem maioria, estes servidores constituem minoria quanto ao acesso de melhores remunerações no quadro funcional do governo. "Somos a chamada arraia miúda, ignorada quando o assunto é o reajuste salarial e ascensão de carreira", critica Diego Araújo. O Sintrase não está sozinho na luta pelo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR). As três categorias possuem agendas de reinvindicações semelhantes em torno da valorização profissional e melhores condições de trabalho. O impasse também é o mesmo: Falta de resposta do governo.
Professores – Com o objetivo de fazer o governo abrir o diálogo, os professores da rede estadual também decidiram paralisar as atividades. A categoria deixou clara a intenção de, a partir da greve, pressionar o governo à negociação sobre o reajuste do piso dos anos de 2012 e 2013. Para os trabalhadores da educação, a greve é o último recurso encontrado para fazer o governo ouvir os professores. A decisão em paralisar as atividades ocorreu na última quarta-feira, 29, durante assembleia geral da categoria. "Queremos que o governo cumpra com a lei, que determina o pagamento do piso nacional do magistério. Já estamos no mês de junho e o governo não se manifesta sobre a pauta dos professores. Apesar de muitas tentativas de negociações da categoria não houve nenhuma resposta por parte do executivo. Com a greve, a ideia é paralisar toda a rede de ensino estadual", diz o professor Erineto Vieira Santos, da diretoria executiva do Sindicato dos Trabalhadores na Educação do Estado de Sergipe (Sintese).
O sindicalista ressalta que o cumprimento da lei do piso assegura reajustes anuais e que a categoria pretende realizar inicialmente atos públicos na capital e depois no interior para fazer cumprir este direito. Na última grande greve dos professores, em 2012, cerca de 10 mil docentes paralisaram as atividades por um período de seis meses em defesa do reajuste do piso salarial. Em todo o Estado, as 375 escolas e mais de 200 mil alunos foram afetados pela paralisação. Segundo a categoria, o reajuste deve ser de 22,22%. Além do reajuste, os professores cobram melhores condições de trabalho e rejeitam o argumento do governo do limite prudencial para justificar a falta de reajuste salarial. "Desde o ano passado apresentamos uma proposta viável financeiramente para que o governo aplicasse o reajuste do piso, mas até o momento não houve uma resposta", disse Erineto.
Os professores também solicitaram ao Tribunal de Contas de Sergipe e ao Ministério Público de Sergipe a realização de uma auditoria para averiguar possíveis irregularidades nas contas do governo referentes à contradição nos dados de folha de pagamento da Secretaria de Estado da Educação, queda acentuada na matrícula da rede estadual e sobre o decreto que regulamenta a gestão democrática na rede estadual.


