Milton Alves Júnior
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Na luta por reforma agrária, sustentabilidade, trabalho e dignidade no campo, centenas de trabalhadores do campo realizaram na manhã de ontem, em Aracaju, o 5º Grito da Terra Sergipe. Reunindo representantes de todos os municípios sergipanos, a caminhada que teve como ponto de concentração a Praça da Bandeira, seguiu pela avenida Hermes Fontes com destino ao Palácio dos Despachos, sede do Governo do Estado. Insatisfeitos com a atenção atribuída pelos gestores públicos junto aos homens do campo, os manifestantes garantiram que a criação de um novo concurso público pode contribuir diretamente para a solução dos atuais problemas enfrentados pelos trabalhadores.
Além de uma possível desassistência governamental, a falta de chuva em diversas regiões do estado tem contribuído para que os problemas se agravem. De acordo com o sertanejo José Maurício dos Santos, morador do município de Amparo do São Francisco, após o Exército cessar o fornecimento de água através de carros pipa, o governo estadual não buscou acompanhar a necessidade da população em obter semanalmente esse produto. "Sabemos que foi uma determinação do Exército e nós agradecemos pelo apoio que nos foi dado por mais de dois meses, mas essa é a hora do estado entrar e fornecer esses caminhões com água", disse.
Compartilhando com a queixa de Maurício, a cidadã simãodiense Maristela Góes, informou a equipe do JORNAL DO DIA que o apoio concedido pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), já foi mais consistente. Para ela, apesar da caminhada ser anual, caso a situação fosse positiva para os agricultores, possivelmente as palavras de ordem seriam para agradecer o apoio concedido pelo governo junto aos manifestantes. "Não vejo problema em sair às ruas para parabenizar os gestores por um trabalho bem sucedido. Se somos capazes de interditar vias para reivindicar melhorias, também devemos ter inteligência para agradecer, mas esse não é o caso. esse ano está sendo um dos mais difíceis para o trabalhador rural".
Conforme informações apresentadas pela direção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Sergipe (Fetase), para cada 85 agricultores familiares, a Emdagro deve disponibilizar um técnico. Segundo os manifestantes, o atual quadro de profissionais é inferior ao recomendado. Para Solange Ferreira dos Santos, presidente da federação, o governador, juntamente com os prefeitos, deve desenvolver políticas públicas emergenciais para atender os anseios pleiteados pelos agricultores.


