Milton Alves Júnior
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Uma operação em con-junto realizada na manhã de ontem pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual (MPE) culminou na prisão de cinco pessoas acusadas de compor uma quadrilha especializada em desvio de dinheiro público em Sergipe. De acordo com as investigações, a Associação Sergipana de Produtores de Eventos (Aspe) vinha atuando como associação criminosa, a qual era responsável por envolver 12 empresas de produção de eventos. No decorrer das investigações feitas desde o início deste ano, a Aspe foi responsável por desviar os recursos financeiros destinados por deputados estaduais envolvidos diretamente no escândalo das verbas de subvenções.
Em entrevista coletiva concedida na tarde de ontem, a delegada Daniela Garcia, do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), informou que durante os anos de 2012 e 2014 a associação recebeu em média R$ 3 milhões. Nada dessa quantia oriunda do contribuinte sergipano foi destinada para utilidade pública, ou mesmo ações sociais, prerrogativa para concessão das subvenções em período não eleitoral. Entre os detidos estão: Wilson Félix de Farias, apontado pelo MPE como possível articulador das transações; Edvânia Menezes, esposa de Wilson; Alessandra Santos Menezes, secretária do articulador; André Santos Almeida, motorista oficial de Wilson; e o presidente da Aspe, Márcio José Góis.
Surpreendidos com a operação articulada pela Polícia Civil, nenhum dos cinco detidos se prontificou a falar sobre o caso. Na avaliação feita pela delegada, o princípio das investigações surgiu em meados de 2011 quando as 12 empresas faziam parte de um só grupo de gestores, ou seja, as ações de desvios eram coordenadas, ou comandadas, principalmente pelos cinco acusados. "Entre estas pessoas algumas poucas vezes foram encontradas para prestar depoimento nas audiências do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e outras sequer foram encontradas em todo esse período. Agora, já com todos reunidos, será possível desvendar se existem outras ações criminosas realizadas pelo grupo", informou.
O Ministério Público relata que a Associação Sergipana de Produtores de Eventos foi responsável por receber quantias significativas repassadas pelos deputados Susana Azevedo – atual conselheira do Tribunal de Contas de Sergipe; Raimundo Vieira, o Mundinho da Comase; pelo ex-deputado José Ramos da Silva – o Zeca; e por Paulo Hagenbeck Filho, o Paulinho da Varzinhas. Vale destacar que na última segunda-feira, 23, Hagenbeck teve o mandato cassado por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral. Ele também foi punido com uma multa de R$ 106.410,00. Segundo o MPE e a PC, a Aspe recebeu ao todo R$ 750 mil, sendo R$ 375 mil de Paulinho da Varzinhas e R$ 393 mil de Zeca da Silva.
Sobre o surgimento dos nomes de Susana e Mundinho, a Polícia Civil destacou que interferências burocráticas contribuíram para que as ‘contas’, que deveriam ser sociais, não fossem pagas pelos então deputados acusados. Durante a apreensão realizada no início da manhã de ontem, foram recolhidos com ordem judicial cinco carros de luxo e aproximadamente R$ 210 mil em espécie que foram encontrados na residência de Wilson Felix, que fica localizada no bairro Coroa do Meio, em Aracaju. Ao analisar a procedência do império adquirido pelo mentor do esquema, foi possível identificar que a casa foi adquirida por Wilson junto a uma construtora, porém, todo o patrimônio confiscado encontra-se no nome de terceiros, ou seja, laranjas.
Finalizado o processo de detenção dos cinco acusados, o MPE e a Polícia Civil se juntam a representantes do Tribunal de Contas do Estado a fim de realizar uma nova investigação sobre todos os processos de licitações das quais a Aspe foi vencedora. A ideia agora, segundo Daniele Garcia, é apurar se houve superfaturamento e lavagem de dinheiro. "Parte do processo já foi realizada e agora estamos dando início à outra fase. É preciso deixar claro que o grupo tem tentado destruir possíveis provas das ações criminosas que envolvem o dinheiro público, mas nossa atuação não começou ontem. Estamos apenas concluindo o quebra cabeça de irregularidades articuladas pela quadrilha", pontuou.


