Milton Alves Júnior
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Inconformados com a possibilidade de reajuste na tarifa do ônibus em menos de dez meses, integrantes do Movimento Não Pago se reuniram na Praça General Valadão e seguiram em caminhada até o Terminal de Integração do Centro Fernando Sávio. No local eles acabaram se deparando com um grande efetivo da Guarda Municipal de Aracaju (GMA) que tentou inviabilizar atos de vandalismo e que os manifestantes realizassem de forma integral o serviço da ‘catraca livre’, na qual os passageiros possuem a oportunidade de usufruir do serviço de forma gratuita.
Ainda durante a caminhada os manifestantes bloquearam parte da Rua Divina Pastora e agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU) também foram enviados até o local na tentativa de minimizar o congestionamento causado. Presente na mobilização, o estudante de Ciências da Computação, Rodrigo Figueiredo Dantas, disse que a população sergipana deve se unir com o objetivo de inibir cobranças abusivas em variados serviços ‘públicos’, principalmente no transporte coletivo. "Quem não sabia que o aumento do ano passado não iria resultar em benefício nenhum para a população? Aquela desculpa de que era necessário para melhorar o sistema público foi por água abaixo. E o BRT, cadê? Temos que voltar a ocupar as ruas", disse.
Em meio ao princípio da confusão, há quem denuncie um possível despreparo por parte de alguns agentes da GMA. Esse é o caso do estudante Marcelo Coelho que utilizou as redes sociais para criticar a forma como os manifestantes foram recebidos no terminal. Para ele, as cenas registradas no ano passado, quando o grupo estava pleiteando discutir o assunto com os vereadores, estão se repetindo. "Ano passado esta mesma guarda nos recepcionou por várias vezes com truculência e até usando spray de pimenta. Na tarde de hoje as cenas foram novamente de revoltar. Está claro que os guardas estavam ali por mando de vereadores e empresários. Nunca em catraca livre houve depredação, e essa não seria a primeira vez", publicou.
"Se todos pararem pra pensar vão perceber que nenhum avanço foi concretizado depois daquelas manifestações que tomaram o país. O que pudemos perceber é que marginais aproveitaram a circunstância para cometer crimes, e o que vemos hoje são políticos com discursos bonitos, mas com os dois olhos bem abertos visando as próximas eleições", disse professor Diogo Nascimento da Silva.
"Eles já estão cientes que o Setransp está articulando uma nova planilha com custos que não existem e por isso já estão botando a polícia na rua para tentar minimizar nosso ato, nossa união. O bom foi perceber que eles quiseram bloquear a passagem dos passageiros de graça nos dois lados, mas a população se uniu a gente e mesmo assim alguns ainda conseguiram furar a barreira", afirmou a designer Mônica Santos. A perspectiva é que as manifestações se intensifiquem até que a nova proposta seja arquivada e o sistema qualificado. Nenhuma queixa contra os policiais foi oficializada na Delegacia Plantonista.


